Paróquias
Adão, Ade, Albardo, Amoreira, Cabreira, Casal de Cinza, Castanheira, Cerdeira do Côa, Marmeleiro, Mesquitela, Miuzela, Monte Margarida, Monteperobolso, Parada, Porto de Ovelha, Pousade, Rochoso, Seixo do Côa, Valongo do Côa, Vila Fernando e Vila Garcia

terça-feira, julho 31, 2007

Fim de ano.

(Homenagem à Ir. Emelda)

O final de ano escolar costuma ser tempo de festas: para mostrar o que se aprendeu, cresceu e do que já se é capaz. E é visível e notável o que as crianças crescem de ano para ano. Para alegria dos pais e legítimo orgulho dos educadores.



Na "Casa de trabalho Jesus, Maria e José" (=Colégio do Rochoso) ... desde o infantário aos "meninos" mais idosos do Lar, todos fizeram festa... no palco ou no passeio!
Em terras tão sossegadas como estas é bom dizermos ao mundo que aqui ainda há vida! Vejam só:

(Os artistas "de fraldas"!)














(Finalistas do Infantário, os mordomos da Festa: Até já sabem dançar a valsa!!!)











(Passeio do Lar: regresso ao Portugal de outros tempos)



(Refrescando em água doce... enquanto se espera a Praia na Figueira)

terça-feira, julho 24, 2007

Perder tempo!

Neste domingo que passou, partilhei com os irmãos esta reflexão. Pela sua oportunidade aqui vo-la deixo.
Neste tempo de férias e num mundo de gente super-apressada e super-ocupada vale a pena reflectir sobre a atitude de Marta e Maria (Luc.10, 38-42).
Marta ao receber Jesus em sua casa, como boa dona de casa, apressa-se a servir, a pôr tudo em ordem..."não tem mãos a medir" para tanto que há a fazer, para acolher bem os seus hóspedes. Não perde tempo. Parece de louvar!
Maria, sua irmã, pelo contrário, “perde tempo” a ouvir Jesus, a dar conversa, a "não fazer nada".Até Marta se enerva e a repreende diante de Jesus. E, por estranho que pareça, Jesus louva Maria e chama a atenção a Marta: " Marta, andas inquieta e agitada com muita coisa, quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte!" Esquisito, não parece?!
Quem não descobre aqui o alerta e a denúncia de um dos graves problemas da nossa sociedade? Tudo medir pelo critério da actividade, do útil, do eficaz, do que dá resultado imediato, do que dá nas vistas. Do materialismo e activismo.
A caridade parece actividade para os tempos livres... que nunca há. O voluntariado e serviço gratuito parecem não governar ninguém. Rezar parece ser beatice estéril. O Domingo é demasiado curto para perder tempo com Deus. Consagrar-se a Deus e aos outros na vida religiosa, parece loucura!
E, no entanto, quem se atreverá a dizer que as horas de companhia silenciosa de dois namorados ou esposos, não são importantes para a suas vidas? Quem julgará inútil a companhia de alguma visita, num hospital, mesmo que silenciosa?
Onde está a razão da diferença?
Marta ocupava-se das coisas, das condições materiais, ainda que para Jesus; Maria procurou antes entrar em comunhão, em relação pessoal com Jesus, ouvindo-o, fazendo companhia. Escolheu a melhor parte.
Hoje a queixa é geral: falta tempo para a relação pessoal…na família, entre os amigos… ocupados como andamos, mais com as coisas do que com as pessoas.

Senhor: como a tua amiga Marta também nós hoje temos medo de perder tempo, de parecer ociosos e inúteis. Porque hoje, Senhor, é uma vergonha estar parado, fica muito mal não fazer nada.
Preocupamo-nos, enervamo-nos, desesperamos de estar quietos: temos de ocupar-nos ou de parecer ocupados.
Senhor, faz-nos compreender hoje que às vezes e por algumas coisas, vale a pena e é necessário perder algum tempo, para ganhar a Vida :
Perder algum tempo a contemplar o sol...para saber como é triste não ver a luz;
Perder algum tempo à sombra de uma árvore... para saber como é horrível o deserto e a terra queimada;
Perder algum tempo sentindo a frescura da água cristalina... para saber como é terrível a sede e a poluição;
Perder algum tempo a ouvir o silêncio da noite e da solidão... para compreender o que perco no barulho e agitação.
Perder algum tempo a contemplar a brincadeira da criança... para reaprender a ternura, a simplicidade e a capacidade de sonhar;
Perder algum tempo com um idoso ou doente... para descobrir o valor da saúde, da idade que tenho, da vida que Deus me deu.

quarta-feira, julho 18, 2007

Somos dignos de ser chamados cristãos?

Meditando o capítulo 10 do Evangelho de S. Mateus


Um simples desafio para a a consciência de cada um: sou digno de ser chamado cristão? Será que esta questão é despropositada ou, pelo contrário, torna-se cada vez mais pertinente?
O que é um cristão? É aquele que vai à missa todos os domingos? É o que reza o rosário todos os dias? É a pessoa que se lembra de Deus quando precisa? É quem se quer aproximar dos sacramentos pela razão do “sempre assim foi” ou então do “parece mal”? Será cristão aquele que remete a sua fé para segundo plano: hoje não rezei nada porque não tive tempo! Será cristão aquele que diz: “confesso-me directamente a Deus”? Afinal de contas: o que é ser cristão?
«
Quem der de beber um copo de água fresca a um destes pequeninos por sua condição de discípulo, eu vos asseguro que não perderá sua recompensa» (Mt 10, 42). Ser cristão é ser discípulo de Jesus! Ser discípulo na vida, na fé, nos gestos, nas atitudes e nas palavras. Ser discípulo de Jesus é participar na vida da comunidade, é tornar pessoais os problemas que estão na casa do vizinho. Ser discíplulo de Jesus é ler, ouvir, reflectir, compreender e viver a Palavra de Deus. Ser discípulo de Jesus é viver a Ceia do Senhor com entusiasmo, alegria e de modo participativo. Ser discípulo de Jesus é contribuir para o crescimento de todos, trazendo sempre consigo um copo de água fresca , guardando-o como um tesouro preciosíssimo. Sendo assim, já estaremos no caminho para sermos dignamente chamados de cristãos. Que testemunho de cristão daremos se vivemos a fé como uma obrigação, com tristeza ou como um “fardo” por tradição?
Deus faz milagres em nós todos os dias: desde o nascer ao pôr-do-sol a vida e tudo o que nos envolve é o grande milagre que Ele nos oferece. Aproveitemos este milagre que Deus nos dá, é já um “pedacinho de céu”!
O mundo precisa de cristãos mais comprometidos. Cristãos que querem assumir de alma e coração o ser discípulo de Jesus. É certo que somos humanos e por isso temos as nossas fraquezas e vamos errando, mas é importante nunca desistir e não baixar os braços. Ser cristão é ser discípulo de Jesus em todas as dimensões que a palavra “discípulo” pede, exige e trás em si mesma.

Pe Ângelo Martins