Paróquias
Adão, Ade, Albardo, Amoreira, Cabreira, Casal de Cinza, Castanheira, Cerdeira do Côa, Marmeleiro, Mesquitela, Miuzela, Monte Margarida, Monteperobolso, Parada, Porto de Ovelha, Pousade, Rochoso, Seixo do Côa, Valongo do Côa, Vila Fernando e Vila Garcia

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Acolher a diversidade exige a educação do olhar


Desempregados jovens e de longa duração, idosos sem família e menores abandonados, pessoas com deficiência e com sida, cidadãos ciganos e sem abrigo, pessoas drogadas e prostituídas, trabalhadores imigrantes e emigrantes, refugiados e estudantes estrangeiros, reclusos e pessoas discriminadas.... Com eles e ao serviço deles a Caritas Portuguesa unida às Caritas diocesanas e a outros organismos da Igreja e da sociedade em geral, quer continuar a ser – não obstante a diminuição dos meios e recursos - sinal vivo e orgânico do Amor sem limites e diversificado de Deus pela humanidade inteira.

Os empobrecidos pelo nosso moderno “estilo de vida nacional” - sempre menos sóbrio, poupado e simples - pululam a olhos vistos nas nossas cidades e vilas. Esses nossos irmãos e irmãs, em situação de vulnerabilidade, são denúncia pública de um sistema económico, laboral e político que, por mais europeu e rico que se queira proclamar ao mundo, se apresenta sempre mais exclusivista, selectivo, competitivo e desigual.
Neste ano europeu do diálogo intercultural considero que é preciso educar o olhar! A nível da acção social da Igreja urge uma nova pedagogia do olhar desde as famílias, passando pelas nossas comunidades cristãs para chegar às escolas e autarquias. A caridade cristã também depende do olhar! Reconheço que não nos sabemos olhar uns aos outros com o mesmo olhar com que Deus sempre olhou para a humanidade. Ele é o Deus que não faz acepção de pessoas (Gal 2, 6). O seu olhar não discrimina ninguém! Ele é o Deus que sempre acolhe no seu seio trinitário a diversidade e que, não obstante as diferentes formas como ainda é olhado na história humana – algumas vezes de forma ainda muito injusta e ingrata -, Ele nunca altera o seu olhar magnânimo de bondade, solidariedade e libertação.
O olhar de Deus reabilita, admiravelmente, o homem ferido pelo mal, sara as feridas causadas pelas estruturas de pecado e envia-o rumo ao desconhecido: ao outro que pede acolhimento e reconhecimento para se viver a vida com sentido. Já no passado ano europeu, dedicado à igualdade de oportunidades para todos, verificámos, lamentavelmente, que persistem muitas “carências de olhar” a nível da efectivação da igualdade de tratamento, da igualdade de género e de acesso aos meios de auto-promoção e apoio social. O próprio olhar de alguns, com responsabilidades na sociedade portuguesa, para com a presença da Igreja nas instituições sociais e educativas parece estar em mudança com o argumento pouco consistente de uma nova “laicidade da caridade” que corre o risco grave de tornar-se numa ofensa à tradição das obras de misericórdia cristã tão enraizadas na nossa lusa cultura.
Vamos abrir as portas à igualdade! Vamos ser fiéis à “ética do olhar” que não discrimina, mas que a todos escuta, acolhe e auxilia com inteligência. Vamos lutar contra as portas que parecem fechar-se silenciosamente que, ao proclamarem a supremacia da ciência, da técnica, da gestão e do tecnicismo correm o risco grave de deixar na rua, no desespero, longe dos apoios legítimos, ao frio e à fome, muitos cidadãos portugueses e estrangeiros que não têm outra saída se não recorrer à flexibilidade da caridade praticada por tantas organizações da sociedade civil, entre as quais se contam estruturas de inspiração cristã, animadas por voluntários e assalariados que com cosciência cívica e de baptizados desenvolvem a sua acção social com profundo sentido de serviço aos outros.
É, sobretudo, a nós cristãos leigos que a Igreja confia, em fidelidade ao príncipio da subsidiaridade, a aplicação prática e adequada dos princípios de reflexão, critérios de julgamento e directrizes de acção próprias da Doutrina Social da Igreja. E porque advertimos desconhecimento e ignorância relativamente a esta doutrina, continuamos empenhados na divulgação da mesma, através de tantos modos, nas comunidades cristãs.
Aproveitando o tempo de Quaresma, e motivando as muitas iniciativas de solidariedade que, durante a Semana Nacional da Cáritas sob o lema Acolhe a Diversidade - Abre portas à Igualdade, irão acontecer por todo o país, quero manifestar o meu agradecimento a todos os que com a sua generosidade, tempo, ousadia e competência, em estruturas públicas e privadas, são parceiros da Caritas e connosco têm tornado possível a presença de Portugal em projectos humanitários de socorro às vítimas de muitas catástrofes naturais e humanas, bem como em programas de apoio ao progresso social e económico de países em vias de desenvolvimento, particularmente os de expressão portuguesa.
Obrigado! Continuemos a abrir portas à igualdade na diversidade de olhares!

Eugénio José da Cruz Fonseca, Presidente da Cáritas Portuguesa

Os peditórios nas Eucaristias
nos próximos dias 23 e 24 de Março
revertem a favor da Cáritas.


sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Confissões Quaresmais 2008 (Pe Ângelo)

Chegou a quaresma. A Igreja propõe este tempo de preparação para a celebração do Dia da Páscoa da Ressurreição de Jesus. A Quaresma são quarenta dias de retiro espiritual, no qual temos como horizonte a renovação do espírito e a criação de um coração novo. Para melhor viver a Quaresma e preparar a Páscoa, fica aqui a proposta para nos aproximar-mos do sacramento da Reconciliação. Quando este momento é realizado nas Igrejas paroquiais é acompanhado de Adoração do Santíssimo Sacramento, encerrando-se com a celebração da Eucaristia.

Venham receber o abraço de Jesus,

reconciliando-se com Deus e com o mundo!

Pe Ângelo Martins

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

A QUARESMA...


O que quer dizer Quaresma?

A palavra Quaresma vem do Latim quadragésima e é utilizada para designar o período de quarenta dias que antecedem a festa ápice do cristianismo: a Ressurreição de Jesus Cristo, comemorada no famoso Domingo de Páscoa. Esta prática data desde o século IV.

Na Quaresma, que começa na quarta-feira de cinzas e termina na quarta-feira da Semana Santa, os católicos realizam a preparação para a Páscoa. O período é reservado para a reflexão, a conversão espiritual. Ou seja, o católico deve se aproximar de Deus visando o crescimento espiritual. Os fiéis são convidados a fazerem uma comparação entre suas vidas e a mensagem cristã expressa nos Evangelhos. Esta comparação significa um recomeço, um renascimento para as questões espirituais e de crescimento pessoal. O cristão deve intensificar a prática dos princípios essenciais de sua fé com o objetivo de ser uma pessoa melhor e proporcionar o bem para os demais.

Essencialmente, o período é um retiro espiritual voltado à reflexão, onde os cristãos se recolhem em oração e penitência para preparar o espírito para a acolhida do Cristo Vivo, Ressuscitado no Domingo de Páscoa. Assim, retomando questões espirituais, simbolicamente o cristão está renascendo, como Cristo. Todas as religiões têm períodos voltados à reflexão, eles fazem parte da disciplina religiosa. Cada doutrina religiosa tem seu calendário específico para seguir. A cor litúrgica deste tempo é o roxo, que significa luto e penitência.

Cerca de duzentos anos após o nascimento de Cristo, os cristãos começaram a preparar a festa da Páscoa com três dias de oração, meditação e jejum. Por volta do ano 350 d. C., a Igreja aumentou o tempo de preparação para quarenta dias. Assim surgiu a Quaresma.

Qual o significado destes 40 dias?

Na Bíblia, o número quatro simboliza o universo material. Os zeros que o seguem significam o tempo de nossa vida na terra, suas provações e dificuldades. Portanto, a duração da Quaresma está baseada no símbolo deste número na Bíblia. Nela, é relatada as passagens dos quarenta dias do dilúvio, dos quarenta anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, dos quarenta dias de Moisés e de Elias na montanha, dos quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública, dos 400 anos que durou a estada dos judeus no Egito, entre outras. Esses períodos vêm sempre antes de fatos importantes e se relacionam com a necessidade de ir criando um clima adequado e dirigindo o coração para algo que vai acontecer.

O que os cristãos devem fazer no tempo de Quaresma?

A Igreja católica propõe, por meio do Evangelho proclamado na quarta-feira de cinzas, três grandes linhas de ação: a oração, a penitência e a caridade. Não somente durante a Quaresma, mas em todos os dias de sua vida, o cristão deve buscar o Reino de Deus, ou seja, lutar para que exista justiça, a paz e o amor em toda a humanidade. Os cristãos devem então recolher-se para a reflexão para se aproximar de Deus. Esta busca inclui a oração, a penitência e a caridade, esta última como uma conseqüência da penitência.

Ainda é costume jejuar durante este tempo?

Sim, ainda é costume jejuar na Quaresma, ainda que ele seja válido em qualquer época do ano. A igreja propõe o jejum principalmente como forma de sacrifício, mas também como uma maneira de educar-se, de ir percebendo que, o que o ser humano mais necessita é de Deus. Desta forma se justifica as demais abstinências, elas têm a mesma função.

Oficialmente, o jejum deve ser feito pelos cristãos batizados, na quarta-feira de cinzas e na sexta-feira santa. Pela lei da igreja, o jejum é obrigatório nesses dois dias para pessoas entre 18 e 60 anos. Porém, podem ser substituídos por outros dias na medida da necessidade individual de cada fiel, e também praticados por crianças e idosos de acordo com suas disponibilidades.

O jejum, assim como todas as penitências, é visto pela igreja como uma forma de educação no sentido de se privar de algo e reverte-lo em serviços de amor, em práticas de caridade. Os sacrifícios, que podem ser escolhidos livremente, por exemplo: um jovem deixa de mascar chicletes por um mês, e o valor que gastaria nos doces é usado para o bem de alguém necessitado.