“Nusquam”, pelo Teatro do Mar , Guarda 4/9/09
“Uma reflexão sobre a natureza humana; um retrato possível do homem contemporâneo na busca de si próprio e da sua razão de ser no mundo”.
Esta explicação do folheto levou-me à Praça Velha.

Foi um
bom retrato de muito do que é o “homem contemporâneo”: solitário no meio da multidão; vivendo na sua “bolha”; representando o “seu” papel no “seu” palco, da “sua” vida; rotineira e caoticamente; o homem robotizado, mecanizado; o homem não “vertical” mas invertido, suspenso, sem raízes nem base segura; manipulado por mãos e forças ocultas – que não são Deus nem o destino, podem crer! – mas… o dinheiro, o poder ou a fama; e que termina … cadáver, lutando contra a morte num inútil espernear.

No final aplaudimos a arte dos actores, espero! Pois a última cena, na sequência das outras, deveria fazer-nos sair deprimidos, inquietos... se somo

s racionais e isso nos dá outro nível.
Atrás deste palco havia outro cenário: às escuras, silencioso, firme, vertical, apontando o Alto: A Sé Catedral. Palco que fala de ressurreição e imortalidade. Ah! Se os espíritos dos seus construtores pudessem aparecer por entre as nuvens de fumo e laser… como lamentariam a nossa visão tão curta e a nossa razão tão …”tapada”!
ACoelho