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quarta-feira, março 09, 2011

Igreja Católica continua à procura de Jesus


Lisboa, 08 Mar (Ecclesia) – A Igreja Católica oferece uma imagem de Jesus que não é “imposta” mas “tacteada”, e “só a mística, a oração e o ambiente litúrgico da fé” são “capazes de a tocar”, considera o padre e biblista José Tolentino Mendonça.

Em entrevista à ECCLESIA, o sacerdote madeirense salienta a variedade de representações cristãs existentes dentro desta procura: “A força e a autenticidade do cristianismo passam muito por uma diversidade de abordagens e perspectivas que se complementam”.

“Há linhas permanentes na diversidade do modo como o cristianismo é vivido”, o que, “antes de tudo”, se deve traduzir em “colocar Jesus no centro”, assinala o professor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica, acrescentando que é possível “falar de uma espiritualidade cristã, sabendo que ela é plural”.

O responsável pelo diálogo da Igreja com a cultura lembra que Jesus viveu no Oriente e que “o cristianismo é sempre uma realidade aberta”, mesmo tendo em conta o “impacto” mundial da teologia concebida na Europa.

O pensamento tradicional do Velho Continente “é muito positivista”, “racional” e “limitado”, pelo que é preciso aprender “outras modalidades de abordagem do mistério cristão”, por exemplo através da observação da “vitalidade de algumas Igrejas na Ásia” e da leitura de “teólogos do continente africano e americano”.

O poeta constata o “regresso à beleza e à estética para falar de Deus” e recorda as liturgias de África, em que as missas vão para além de uma hora de duração e onde os ritos incluem o “gesto” e a “corporeidade”, não se limitando a uma “celebração mental”.

Para Tolentino Mendonça, o diálogo cultural é uma “imensa prioridade para a Igreja”, que precisa de “tornar Jesus pertinente” para a sociedade actual: “Há o perigo de termos uma coisa extraordinária, uma boa-nova para anunciar, mas ninguém nos querer ouvir. E nós próprios perdermos a capacidade de tornar o anúncio, audível”, afirma.

“A cultura – prossegue – é o novo templo, é o novo espaço da missão, é o novo lugar do anúncio” por ser “tudo aquilo que torna a vida humana decisiva” e por constituir “o horizonte de felicidade que cada tempo procura”.

À abundância de culturas e à pluralidade de leituras sobre Cristo, acrescenta-se a particularidade de cada pessoa, que vive “uma história única no seguimento de Jesus”, motivo pelo qual a teologia tem vindo a valorizar a “biografia crente”, ou seja, “a história de vida, o capital de experiência cristã” que cada fiel constrói e transporta.

Entre os itinerários de fé a que a Igreja é chamada a dar atenção encontram-se os dos “não praticantes”, que devem ser olhados “não como um peso mas como um desafio”: “Os cristãos desactivados não deixam de ser cristãos”, diz o director do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.

Depois de frisar que “o discipulado é a base de toda a procura cristã” e o biblista realça que o crescimento espiritual cristão implica “luta”, “resistência” e “desprendimento”, cuja exigência deve ser entendida dentro de uma perspectiva de “ternura” e “esperança”.

Tolentino Mendonça alerta para o risco de se reduzir a crença “a uma dimensão ornamental” e “puramente sociológica”: “O cristianismo – sublinha – tem de ser fermento e vida, uma decisão e um caminho”.

in AGÊNCIA ECCLESIA

terça-feira, março 01, 2011

D. Manuel da Rocha Felício, bispo da Guarda, dirige mensagem de Quaresma 2011

Quaresma 2011: A Palavra de Deus fonte de renovação pessoal e comunitária

A Quaresma é tempo forte de renovação e aprofundamento da Fé. Para os que pediram o Baptismo e ainda o não receberam, ela é a fase especial­men­te importante do seu catecumanado enquanto preparação próxima para a celebração deste sacramento. Para os já baptizados é tempo de con­versão à Pessoa de Cristo e ao seu Evangelho, a fim de, com verdade, poderem renovar as promessas baptismais na Noite Pascal. A uns e a outros se aplica o que S. Paulo diz aos cristãos : “Sepultados com Cristo no Baptismo, foi também com Ele que ressus­ci­­tastes” (cfr. Col. 12,12).

Queremos, portanto, que estes 40 dias de Quaresma sejam bem aprovei­ta­dos por todos os fiéis e comunidades da Fé para refazerem o percurso do Catecumenado, próprio dos candidatos à celebração do Baptismo; Ca­te­cumenado que é de facto escola insusbstituível de Fé e de vida cristã.

A pensar nesta escola de vida, em todo o tempo quaresmal, a Igreja ofere­ce-nos com especial abundância a Palavra de Deus e convida todos os fiéis a voltarem-se para ela com redobrada intensidade.

Também vivemos esta Quaresma a partilhar uma preocupação comum a toda a Igreja em Portugal, que é o repensarmos juntos a pastoral que esta­mos a realizar, procurando descobrir novos caminhos do nosso ser Igreja no mundo de hoje. Aqui, não podemos esquecer que o objectivo de toda a acção pastoral é conduzir à relação com Cristo vivo e fonte de vida. E este encontro com Cristo vivo somos convidados a fazê-lo na dupla mesa da Palavra e da Eucaristia.

Tal como na Eucaristia, participamos na mesa da Palavra quando nos re­u­nimos na assembleia do domingo; mas precisamos de outros momen­tos complementares para fazer com que a Palavra de Deus seja realmente compreendida no sentido preciso que o texto bíblico encerra, meditada nas interpelações que ela hoje faz a cada um de nós, rezada na definição das respostas que lhe devemos dar e contemplada na pluralidade dos caminhos que ela nos abre para serviço não só das comunidades cristãs mas também da sociedade em geral. Para que isso aconteça é muito recomendável a leitura orante da Palavra de Deus, também chamada “lec­tio divina”, feita por cada um individualmente, mas também nas famílias e em grupos mais alargados, para, assim, aprendermos, na escola do único Mestre, a ser Seus discípulos. Para nós aprender a lição do nosso Mestre é memorizar o essencial da sua mensagem, mas é também e sobretudo fa­zer dela fonte inspiradora das nossas decisões e dos nossos compor­ta­mentos.

Por isso, nesta quaresma desejamos:

  • Continuar a sensibilizar as nossas comunidades paroquiais para a im­portância da Bíblia e para o lugar central que na nossa vida deve ocupar a Palavra de Deus.
  • Continuar a motivar os grupos bíblicos que já temos a funcionar e ou­­tros que possam ser constituídos para a leitura orante da Palavra de Deus, também chamada “Lectio Divina”, utilizando nomeada­men­te o livro sobre S. Mateus que ofeceremos à Diocese para cum­pri­­men­to do nosso plano pastoral, este ano.
  • Tomarmos contacto com as orientações da exortação apostólica “Verbum Domini” do Santo Padre Bento XVI, publicada na sequên­cia do Sínodo sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja, a qual foi objecto de estudo nas recentes jornadas de formação do nosso Clero.
  • Acolhermos, com generosidade, o convite à oração mais intensa assim como ao jejum e à esmola, que, em sua sabedoria secular, a Igreja de novo nos dirige, nesta Quaresma.
  • Quanto à renúncia quaresmal, este ano, atendendo à grave situação de crise social que o nosso país atravessa e se faz sentir fortemente nos nossos meios, vamos dirigi-la, em partes iguais, para o Fundo So­cial Solidário criado e dirigido pela Conferência Episcopal e para a nossa Caritas Diocesana, à qual estão continuamente a chegar, e em número crescente, casos de pessoas que nos batem à porta, a pedir bens de primeira necessidade.

Guarda, 25 de Fevereiro de 2011

+Manuel R. Felício, Bispo da Guarda