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quarta-feira, agosto 31, 2011

Homilia do Bispo da Guarda no dia da Festa da Liga dos Servos de Jesus

1. Celebramos hoje a festa anual da Liga dos Servos de Jesus quando entramos no ano comemorativo do cinquentenário da morte do Fundador, o Servo de Deus D. João de Oliveira Matos. Em dois mil e doze completa-se este cinquentenário a que queremos dar o relevo que ele nos merece. Sobretudo queremos que ele seja a oportunidade bem aproveitada para regressarmos às fontes e a partir delas, podermos relançar o carisma da nossa Liga, na fidelidade às orientações do Fundador e também às novas circunstâncias em que se enquadra hoje a vida da Igreja.

É no desejo de contribuir para iniciarmos bem esta preparação do cinquentenário da morte do Fundador que procurarei agora mesmo trazer à memória de todos algumas das instruções que estiveram na origem da Liga dos Servos de Jesus.

Como sempre acontece, a Festa da Liga, por tradição e orientação estatutária, coincide com o aniversário do falecimento do Sr. D. João e, ao mesmo tempo, remete-nos para a figura de S. João Baptista, na celebração litúrgica do seu martírio.

2. É por aqui que desejamos começar. O martírio de S. João Baptista é resultado do seu amor à verdade, da sua fidelidade incondicional a Deus e à missão que este lhe confiou. Figuras de referência para nós como é João Baptista, mas também são os profetas, como Jeremias, de que nos fala a I leitura dizem-nos que há uma escolha que temos de saber fazer. Essa escolha é entre o que nos aconselharam os nossos gostos, os nossos interesses e até a nossa segurança pessoal, por um lado e o que Deus efectivamente nos pede, por outro. Não tenhamos ilusões: a verdadeira segurança e mesmo o autêntico conforto pessoal só os temos se escolhermos a vontade de Deus a nosso respeito, mesmo que isto nos custe. É isso o que nos quer dizer o profeta Jeremias, ao insistir – “não temas diante deles, senão serei eu que te farei temer a sua presença”. É do lado do Senhor e do cumprimento da sua vontade que também nós nos queremos colocar sempre, mesmo sabendo que, por vezes, teremos de pagar factura elevada, como aconteceu com João Baptista. E cada um e cada uma de nós é chamado a fazer esta escolha num mundo em que se vive permanentemente em jogos de interesses. Jogos de interesses onde muitas vezes as pessoas não hesitam em sacrificar a verdade e até as suas convicções mais profundas e autênticas para manterem situações de bem estar pessoal e aquilo que julgaram ser as suas seguranças, ainda que assentes em pés de barro, portanto sem consistência. Todos passamos pela tentação de sacrificarmos a verdade e a fidelidade à nossa vocação, trocando-as por cantos de sereias que de facto nos convidam à vida fácil e ao comodismo de quem se instala e recusa escutar a voz do Senhor que constantemente nos diz – “não tenhas medo, faz-te ao largo”.

S. João Baptista é para nós hoje exemplo de quem venceu a tentação, escolheu a fidelidade ao Senhor até às últimas consequências, mesmo sabendo que pagaria uma factura elevada. Essa factura foi o martírio.

3. Hoje, todos nós e a Liga dos Servos de Jesus continuamos confrontados com a urgência de escolher entre por um lado a voz da Sereia que nos indica o caminho do comodismo e da instalação ou outro a voz do Senhor que continua a dizer-nos – “não tenhas medo, faz-te ao largo”.Esta escolha é inevitável e desejamos que não só este dia de festa mas também todo o ano em que vamos viver a preparação do cinquentenário da morte do Servo de Deus D. João de Oliveira Mato nos dêem coragem para fazermos bem esta escolha. Ora, essa escolha, para ser bem feita, tem de ter em conta algumas pautas de decisão e de comportamentos que o mesmo Sr. D. João sublinhou desde a origem.

Assim uma delas é cultivarmos o mesmo espírito de observação e de discernimento que o levou, no decorrer das Visitas pastorais que fazia, ao reconhecimento de “muitos homens e mulheres com invulgar grandeza moral a ponto de poderem ser considerados verdadeiros jardins de virtude.” Não podemos considerar-nos a nós próprios o centro do mundo, nem julgarmo-nos de tal maneira insubstituíveis que depois de nós só pode vir o vazio.

A nossa atitude tem de ser outra, ajuda mesmo que cultivava o Fundador da Liga quando pensou em reunir “o maior número possível de almas apaixonadas de Jesus que pudessem substituir a reparação que em Portugal se fazia quando havia as Ordens Religiosas.” Não podemos esquecer que a Fundação da Liga aconteceu nos tempos subsequentes à implantação da República, que completou o vazio de Ordens Religiosas em Portugal.

O que está em causa na mente do Fundador é contribuir para a revitalização das comunidades cristãs, para a purificação e aprofundamento da Fé com consequências na santificação do mundo e de todas as pessoas no meio do mundo.

Hoje, em linguagem conciliar e a este propósito desejo lembrar que no próximo ano juntamente com o cinquentenário da morte do Sr. D. João desejamos celebrar condignamente os 50 anos do início do Concílio Vaticano II – falamos na animação cristã das realidades temporais.

D. João de Oliveira Matos usou a linguagem da tradição da época, quando, dirigindo-se ao grupo dos Fundadores da Liga, lhe disse: “Minhas Senhoras é preciso que Jesus volte a reinar em Portugal, na Diocese, na nossa terra, na nossa família e primeiro que tudo no nosso coração”.

Por isso convém não esquecermos como é que ele define a finalidade da Liga dos Servos de Jesus. Essa finalidade é “santificação pessoal, depois contribuir para a santificação dos que andam longe de Deus, depois ainda desagravar a Nosso Senhor de tantos crimes que se têm praticado e continuam a praticar em Portugal, reparando e fazendo apostolado em todos os campos de acção. Estes são os mesmos objectivos da Igreja, ao serviço da qual o Sr. D. João quis que todos os servos da Igreja se colocassem incondicionalmente. Por isso, insiste em recomendar às Senhoras que participaram no retiro da Fundação: “Todas as obras feitas com este fim terão por guia o Pároco de cada localidade e por chefe o nosso Ex.mo Prelado, a quem se deve dar conta de todas as iniciativas”. E é bom não esquecer o que ele pediu às Fundadoras e hoje continua a ser pedido a todos os membros da Liga. Dizia: “Eu não me importo de ter muitas associadas; o que desejo é tê-las que queiram ser santas e trabalhem para santificar os outros”. E para clarificar as razões e as motivações que devem estar sempre presentes nas escolhas e no comportamento dos membros da Liga, insiste primeiro na liberdade com que se adere a esta associação, mas logo a seguir na responsabilidade que se exige aos que aderem. E para sublinhar esta responsabilidade, o Sr. D. João clarifica, logo no início, “se vir que mesmo alguma ou algumas das inscritas não desempenham o fim que a Obra se propõe, eu passo um traço sobre o seu nome sem me importar que digam que o Bispo é incivil ou intratável”.

É esta sem dúvida, uma das posições mais firmes e rigorosas que o Senhor D. João assumiu no processo de Fundação da Liga que nós não queremos deitar no rol dos esquecidos, mas assumir como interpelação à forma como estamos a viver o nosso carisma na Igreja e no mundo de hoje.

Certamente que nenhum nem nenhuma de nós quer ver o seu nome riscado, como dizia o Sr. D. João, no livro da Liga dos Servos de Jesus.

Para que isso não aconteça vamos trabalhar, sobretudo ao longo deste ano duplamente jubilar, para que a nossa Liga seja, hoje e segundo a vontade do Fundador, “para unir todas as almas que na Diocese desejem aperfeiçoar-se espiritualmente e trabalhar na santificação do próximo”.

Que o Servo de Deus, Sr. D. João de Oliveira Matos, lá do Céu onde certamente se encontra, a todos nos acompanhe no esforço que queremos fazer para, sobretudo ao longo deste próximo ano, ajudarmos a Liga a reencontrar-se com o seu verdadeiro e autêntico carisma.

Por isso e tendo em conta o que acaba de ser lembrado sobre as notas características das intenções do Fundador, desejo deixar duas pistas de reflexão para nos acompanharem ao longo de todo este ano jubilar:

1ª) Que queremos das nossas comunidades da Liga dos servos de Jesus e que testemunho do nosso carisma elas estão realmente a dar?

2ª) A iniciativa recentemente tomada de criar uma comunidade em terras de missão ad gentes como está a ser assumida por todos os membros da Liga e que caminhos de renovação queremos que ele inspire às outras comunidades e também aos servos externos?

E agora peço a todos os presentes uma especial oração ao Senhor para que a santidade do Sr. D. João seja, em breve, formalmente reconhecida pela Igreja através da sua beatificação e canonização, cujo processo está em curso e em fase adiantada.

+Manuel da Rocha Felício; Bispo da Guarda

sábado, agosto 27, 2011


Após a Peregrinação Diocesana a Fátima, começa a ser preparado o novo Ano Pastoral. Para já fica o cartaz/imagem que nos vai acompanhar ao longo do próximo ano, com o desafio de ler o Evangelho de S. Marcos.

«Peso das tradições» dificulta «repensar a pastoral», afirma D. Manuel Felício, bispo da Guarda

Fátima, Santarém, 26 ago 2011 (Ecclesia) – O bispo da Guarda diz que os católicos precisam de “coragem” para rever a vivência e anúncio da fé, o que obrigará a mudanças nas paróquias, organismos eclesiais e famílias, bem como nas opções de padres e leigos.

“Repensar a pastoral da Igreja exige que nós, sacerdotes, sejamos capazes de estabelecer novas prioridades na distribuição do nosso tempo e das nossas energias”, sublinhou D. Manuel Felício esta quinta-feira, na homilia da missa da peregrinação da diocese da Guarda ao santuário de Fátima, segundo texto enviado à Agência ECCLESIA.

Os leigos, por seu lado, devem “criar todas as condições” para que as comunidades cristãs “se convertam a essas novas prioridades”, salientou o prelado, para quem a resistência à mudança constitui um obstáculo à transformação de mentalidades.

“O peso das tradições, que muitas vezes temos dificuldade em romper, dificulta, em boa medida, este repensar a pastoral da Igreja em muitos dos nossos ambientes”, referiu D. Manuel Felício, acrescentando que as comunidades cristãs apresentam “sinais evidentes de que precisam de se renovar”.

Para o bispo da Guarda, a sociedade, “onde faltam cada vez mais as razões de esperança e de vida com sentido”, pede à Igreja Católica “iniciativas de nova evangelização” em ambientes “com muitas e profundas marcas de referências cristãs”, mas onde as pessoas cedem “às pressões da moda” e vivem “como se Deus e Jesus Cristo não existissem”.

in Agencia Ecclesia

quinta-feira, agosto 18, 2011

Chegada de Bento XVI a Madrid para as Jornadas Mundias da Juventude


Madrid, 18 ago 2011 (Ecclesia) - O Papa denunciou hoje as injustiças por motivos religiosos que vitimam os cristãos, durante o primeiro discurso que proferiu em Espanha, onde até domingo participa na Jornada Mundial da Juventude (JMJ).

“Há muitos que, por causa da sua fé em Cristo, são vítimas de discriminação, que gera o desprezo e a perseguição, aberta ou dissimulada, que sofrem em determinadas regiões e países”, afirmou o Papa no aeroporto de Barajas, em Madrid, minutos depois de chegar à capital espanhola.

Bento XVI criticou também as ideologias que querem afastar os jovens de Cristo, “privando-os dos sinais da sua presença na vida pública e silenciando mesmo o seu santo Nome”, tendo apelado aos fiéis para se manterem firmes na fé.

“Volto a dizer aos jovens, com todas as forças do meu coração: Que nada e ninguém vos tire a paz, disse o Papa, que apelou a um testemunho dos católicos “sem ocultar a própria identidade cristã, num clima de respeitosa convivência com outras legítimas opções e exigindo ao mesmo tempo o devido respeito pelas próprias”.

O discurso lembrou os problemas experimentados pelos jovens, nomeadamente a “dificuldade de encontrar um trabalho digno”, a perda de emprego ou um estatuto laboral “muito precário”, enquanto que outros “precisam de prevenção para não cair na rede das drogas, ou de uma ajuda eficaz, caso desgraçadamente já tenham caído nela”.

A intervenção salientou os objetivos da viagem à capital espanhola: “Venho aqui para me encontrar com milhares de jovens de todo o mundo, católicos, interessados por Cristo ou à procura da verdade que dê sentido genuíno à sua existência”.

A pertença religiosa “revigora os jovens e abre os seus olhos para os desafios do mundo onde vivem, com as suas possibilidades e limitações”, frisou o Papa, que aludiu à “superficialidade”, “consumismo” e “hedonismo imperantes”, bem como à “banalidade na vivência da sexualidade”, “egoísmo” e “corrupção”.

Os jovens “sabem que, sem Deus, seria difícil afrontar estes desafios e ser verdadeiramente felizes”, afirmou Bento XVI, depois do discurso de boas vindas proferido pelo rei Juan Carlos.

O encontro, assinalou o Papa, constitui para os jovens “uma ocasião privilegiada para colocar em comum as suas aspirações, trocar reciprocamente a riqueza das suas culturas e experiências” e “animar-se mutuamente num caminho de fé”, no qual, ressaltou, “não estão sozinhos”.

Depois de salientar que a JMJ traz uma “mensagem de esperança” que traz “confiança face ao amanhã da Igreja e do mundo”, Bento XVI disse que é “urgente” ajudar os jovens a “permanecerem firmes na fé e a assumirem a maravilhosa aventura de anunciá-la e testemunhá-la abertamente com a sua própria vida”.

Os organizadores da 26.ª JMJ, que se realiza sob o lema “Enraizados e edificados em Cristo, firmes na fé”, aguardam mais de um milhão de peregrinos, entre os quais se incluem cerca de 12 mil portugueses.

O portal Agência ECCLESIA está a acompanhar a edição de 2011 da Jornada Mundial da Juventude com uma secção dedicada ao encontro, onde além de notícias atualizadas se inclui a edição especial em «pdf» criada para o evento, bem como a emissão em direto de televisão e rádio.

in agência Ecclesia