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sábado, agosto 25, 2012

“Tu tens palavras de vida eterna” (Cf. Jo Jo 6,60-69) XXI Domingo do Tempo Comum - B


A vida quotidiana da humanidade é feita de opções e decisões. Por vezes as opções que são tomadas não são as mais felizes e afastam a humanidade do caminho da vida eterna. A Palavra de Deus deste XXI Domingo do Tempo Comum revela a opção do povo de Israel (tempo de Josué) e dos discípulos que seguiam Jesus.
Não é fácil tomar decisões, de modo particular as que levam à unidade de modos de ser e de viver. Josué, ao se aperceber que a sua partida para a eternidade estava próxima, reuniu as 12 tribos de Israel e falou-lhes diretamente da opção que ele mesmo e a sua família tomaram de seguir e viver sob a Palavra e a vontade de Deus, desafiando/questionando as outras famílias a darem agora a sua resposta: “Escolhei quem quereis servir”. Unanimemente escolheram todos servir o Senhor. Hoje, que resposta daríamos a Josué? Diante de uma multiplicidade de coisas que parecem querer ocupar o lugar de deus, em quem colocamos o nosso coração? Em quem colocamos a nossa esperança? Para onde caminhamos? Nesta sociedade tão pluralista e multicultural, temos a capacidade de discernir e optar pelos caminhos da unidade e da paz? Temos a coragem de optar por servir o Senhor?
Depois do milagre da multiplicação dos pães, do discurso do pão da vida, muitos dos discípulos abandonaram Jesus. Deixaram de o seguir por causa da desilusão que encontraram… afinal o Messias que esperavam ter encontrado não exercia poder sobre o povo e os povos, não libertava do poder político da época… Recusavam-se a querer um Messias que fala da morte e do sofrimento… Um Messias que dá a sua carne a comer e o seu sangue a beber… “As suas palavras são duras”. Alguns deixaram-n’O mas os doze permaneceram porque, provavelmente, já se identificavam com as palavras do Senhor.
O espírito é que dá vida”. Não são os bens materiais e as coisas efémeras e passageiras do tempo presente que são garantias de eternidade. O Espírito do Senhor cuida e ampara o nosso próprio espírito e é através dele que descobrimos o caminho da vida eterna.
“Tu tens palavras de vida eterna. Nós acreditamos que Tu és o Santo de Deus.” Que certeza e profissão de fé belas e profundas. E nós hoje? Seguimos o Senhor, ou queremos deixá-l’O por causa da dureza das suas palavras? Que certeza temos diante do mistério de Deus? Qual é a profissão e o testemunho que damos da nossa fé?
S. Paulo refere na carta aos Efésios que só na partilha, na união e na comunhão dentro da família se vive o reflexo da união e da comunhão de Cristo com a Igreja. Somos este sinal?
Resumindo: as opções que tomamos são as da fidelidade ao Senhor? As do seguimento das suas palavras? As do reflexo da sua união connosco?
Pe Ângelo Martins

sábado, agosto 04, 2012

“acreditar n’Aquele que Ele enviou” (Cf. Jo 6,24-35) XVIII Domingo do Tempo Comum - B


É preciso acreditar mais e confiar mais em Jesus. Não como sendo o que resolve os problemas, mas como o que caminha connosco e ensina o lugar por onde devemos caminhar. Deus oferece o alimento necessário ao seu povo. Pelo deserto, o povo murmurava, mas Deus estava atento aos seus murmúrios e às suas necessidades. Por isso fez descer do céu o maná. O pão que o povo precisava para viver em cada dia, pois todos os dias apanhavam só o que fosse preciso para esse dia. O deserto é quente, árido, seco, quase sem vida. Como por vezes é também a vida humana. O Pai revela-se à humanidade através da sua bondade e do seu amor. Revela-se como o rochedo seguro onde o povo pode sempre encontrar o alívio das suas dores e o necessário para viver. Por isso o Senhor, neste momento da vida do povo de Israel, “dá a lição” do desprendimento e da confiança total. No momento atual da sociedade é preciso existir confiança no que dá vida, no que dá o horizonte e a esperança do futuro: Deus. Mas alguns continuam a não querer ouvir e viver da Palavra do Senhor.
À  semelhança da multidão que foi alimentada pelos pães e pelos peixes do milagre da multiplicação, que foram atrás de Jesus só pela espetacularidade do acontecimento, ainda hoje há quem possa pensar que a manifestação de Deus tem de suceder de forma espetacular. Por isso é preciso ouvir Jesus, que hoje nos diz que o espetáculo da vida está em trabalhar pelo alimento que dura até à vida eterna, esforçando-nos todos os dias pelo alimento material e espiritual. Não nos bastará o amor, a partilha e o serviço? Parece que a multidão foi atrás de Jesus por julgar que a mensagem da multiplicação era muito pouca, ou seja, deveria haver mais espetáculo do céu. Ora, o Senhor revela-se na simplicidade e de forma discreta. Haverá mensagem mais bela do que a mensagem do amor, da partilha e do serviço à humanidade? Mas também a desilusão, a indiferença e a apatia, podem fazer com que facilmente a vida pareça vazia e sem sentido. Por isso, para alcançar o pão que sacia basta aderir a Jesus de alma e de coração! Jesus é o Pão da vida que sacia e que dá vida!
Pe Ângelo Martins