Paróquias
Adão, Ade, Albardo, Amoreira, Cabreira, Casal de Cinza, Castanheira, Cerdeira do Côa, Marmeleiro, Mesquitela, Miuzela, Monte Margarida, Monteperobolso, Parada, Porto de Ovelha, Pousade, Rochoso, Seixo do Côa, Valongo do Côa, Vila Fernando e Vila Garcia

sábado, outubro 27, 2012

«atirou fora a capa, deu um salto e foi ter com Jesus» (cf. Mc 10,46-52) - XXX Domingo do Tempo Comum - B

Em que momentos na vida, tenho a coragem para atirar a capa para trás e de um salto ir ter com Jesus? Na figura do cego Bartimeu, encontra-se representada a acomodação, o conformismo e a estagnação da vida. Digo mesmo, da vida de muitos cristãos. Quantas são as vezes que por causa de prazeres pessoais e interesses mundanos não dou um salto para ir ter com Jesus? Quantas são as vezes que deixo que a minha forma de pensar e a minha vontade não sejam moldadas pelo anúncio da Boa-Nova?
Estava este homem cego, Bartimeu, também conformado com as suas circunstâncias de vida e com a exclusão que a sociedade lhe impunha. Abandonado junto ao caminho, mas não plenamente esquecido porque pedia esmola, este homem dá conta de Jesus a passar e, de repente, deseja mudar a sua vida. De um conformismo e acomodação só seus, passa a uma entrega e a um encontro que mudam para sempre a sua vida. Se ele era sinal de acomodação, agora passa a ser sinal de diferença.
Jesus, Filho de David, tem piedade de mim”. Este é o grito da confiança e do desespero que este homem tem a coragem de fazer. Reconhece que Jesus é o Messias e pede-lhe, carinhosamente (mas em alta voz) para que Jesus olhe para ele. Quando a humanidade pede com coração, alma e inteligência, o Senhor não deixa de atender o pedido. Por isso, a primeira ordem é que o caminho entre Jesus e Bartimeu fique desimpedido e não haja obstáculos que continuem a bloquear o encontro: “Chamai-o”. (Sim, existe quem passe a vida a recusar que alguns façam o seu encontro com Jesus: ou porque se manda calar, ou porque não se ouve, ou porque não se ajuda, ou porque não se ama, ou porque…).
Mestre, que eu veja”. “Vai, a tua fé te salvou”. A adesão ao Senhor, passar pelo reconhecimento de quem Ele é. Por ir ao Seu encontro. Por entregar a vida nas Suas mãos. Por escutar com verdade o Seu anúncio. Por deixar a “capa” para trás e sem medo avançar na vida. Por não perder a esperança de dizer e gritar bem alto: Jesus, tem piedade de mim! Jesus olha para mim! Jesus eu quero-te na minha vida!
Na fé recebida como dom, encontra-se a esperança a que todos somos chamados. Porque não ouvir com ouvidos e coração a Palavra do Senhor? Porque não deixar que ela transforme a minha vida? Porque não recusar cada vez mais a divisão da fé da vida quotidiana e aceitar mais a fé como modo de viver? Porque não deixar de ser obstáculo para que outros se encontrem com Jesus? Porque não pensar com simplicidade e humildade: o que é que depois de ouvir a Palavra e meditá-la vai ser diferente na minha vida?
Pe Ângelo Martins

domingo, outubro 21, 2012

AVISO

Bom dia.
Depois do anúncio público sobre o encontro com todos os crismados que frequentaram as escolas de fé, no passado Domingo, não houve feedback suficiente para se realizar hoje. Assim fica sem efeito o encontro no Santuário de Nossa Senhora da Póvoa.
Feliz dia e não se esqueçam de fazer uma oração pelas Missões.
Pe Ângelo

sábado, outubro 20, 2012

“o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida pela redenção de todos” ( cf Mc 10,35-45) XXIX Domingo do Tempo Comum - B


“Servir e dar a vida”… que belo lema de vida que é oferecido pelo Senhor aos discípulos e, hoje, a todos nós.
Por vezes parece andarmos distraídos com questões de lugares, como Tiago e João. Os discípulos parecem andar longe de compreender e viver os ensinamentos de Jesus, pois só os seus interesses parecem emergir quando chega a hora de dialogar com o Mestre. Assim, Jesus insiste em ensiná-los (a nós também) que o Reino está para além de interesses pessoais e de lugares. O Reino está presente em cada um, cada vez que se faz doação e entrega ao próximo. Isto é o servir e dar a vida!
Em que momentos da minha vida eu procuro mais servir do que ter e fazer as coisas para me satisfazer? Em que momentos da minha vida procuro o melhor para o próximo (família, amigos, vizinhos e outros…)? Quando é que escuto mais a Palavra de Jesus?
A Comunidade que forma o Reino de Deus é feita de amor e doação! Pelo menos devia. Está ao alcance de quem? De mim, de ti e de todos nós. É urgente deixar brilhar a Palavra da verdade nos nossos corações. É urgente despertarmos do sono adormecido da fé recebida para a alegria vivida e celebrada. É preciso não deixar passar a beleza de Deus ao lado, mas embarcar com Ele na aventura da fé. Sim, a fé é uma aventura que é dom de Deus e acolhimento e resposta de cada um de nós.
Neste caminho, as facilidades não são muitas, ao contrário das exigências que são bastantes. Neste caminho, pode o sofrimento embarcar também connosco. Mas será ele um mal? Ou um bem? Ou então uma mera componente da missão de evangelizar sem desfalecer? “Terminados os sofrimentos verá a luz e ficará saciado”. Estas são as palavras do profeta acerca do Servo do Senhor. Servo este que sofre, mas que garante a Luz no e após o sofrimento. Evangelizar, ser discípulo, ser apóstolo, é também passar pelas “perseguições” e pelos sofrimentos. Estes sofrimentos podem levar a pensar que se está isolado e se rema sozinho contra uma maré que parece ser um tsunami. Não há que desanimar, pois a redenção através do sofrimento é plenitude da vida e garantia para o futuro. É-nos desafiado a nós, cristãos, sermos simples e humildes, padecendo nos sacrifícios como o servo disponível para amar sempre.
“Permaneçamos firmes na profissão da nossa fé”, diz a carta aos Hebreus. Em pleno Ano da Fé este desafio também se torna exigência. Não uma exigência com falta de palavras e obras, mas uma exigência de testemunho de vida! Acordemos da fé adormecida! Levantemo-nos com esperança! Acreditemos com toda a força, com toda a alma e com todo o entendimento. Somos desafiados a professar a nossa fé, com a vida! Somos “chamados a fazer brilhar a Palavra da verdade” (Mensagem do Santo Padre para o Dia Mundial das Missões)!
Neste dia em que somos também convidados a lembrar todos os missionários, acolhamos o desafio de viver a Missão de Jesus: tomar o seu exemplo de vida e, sem receio, sem temor e sem medo, transmitir a fé!
Pe Ângelo Martins

quinta-feira, outubro 18, 2012

Intervenção no Sínodo dos Bispos de D. António Couto, presidente da Comissão Missão e Nova Evangelização, no nosso país

Fidelidade renovada (n.º 158)

Igreja sinodal, próxima, fraterna e afectuosa
1. Viver «em sínodo» é a vocação e a missão da Igreja peregrina e paroquial, casa de família fraterna e acolhedora no meio das casas dos filhos e filhas de Deus, no belo dizer do Beato Papa João Paulo II, Catechesi tradendae [1979], n.º 67; Christifideles Laici [1988], n.º 26.

2. É também o retrato da Igreja-mãe de Jerusalém, saído da paleta de tintas do Autor do Livro dos Actos dos Apóstolos (2,42-47; 4,32-35; 5,12-15), que nos mostra uma comunidade cristã bem assente em quatro colunas: o ensino dos Apóstolos (1), a comunhão fraterna (2), a fracção do pão (3) e a oração (4), e com ramificações em todas as casas e em todos os corações. Trata-se de uma comunidade bela que, dia após dia, crescia, crescia, crescia. Não admira. Era uma comunidade jovem, leve e bela, tão jovem, leve e bela, que as pessoas lutavam por entrar nela!

Igreja da anunciação
3. A vocação e missão da Igreja não é coisa própria sua, mas radica, como exemplarmente deixou escrito o Concílio Vaticano II, no seu Decreto Ad Gentes, no amor fontal do Pai, que enviou em missão o Filho e o Espírito Santo (n.º 2). É nesta missão que se enxerta a missão da Igreja, pelo que não compete à Igreja inventar a missão ou decidir em que consista a missão. Na verdade, o rosto da missão tem os traços do rosto de Jesus Cristo e já foi nele luminosamente manifestado. Temos, pois, uma memória viva a fazer, viver e guardar todos os dias.
Abrindo o Evangelho de Marcos, reparamos logo que o primeiro afazer de Jesus não é pregar ou ensinar, mas ANUNCIAR, que traduz o verbo grego kêrýssô: anunciar o Evangelho (Mc 1,14). E qual é a primeira nota que soa quando Jesus se diz com o verbo ANUNCIAR? É, sem dúvida, a sua completa vinculação ao Pai, de quem é o Arauto, o Mensageiro, o ANUNCIADOR (kêryx). Pura transparência do Pai, de quem diz o que ouviu dizer (Jo 7,16-17; 8,26.38.40; 14,24; 17,8) e faz o que viu fazer (Jo 5,19; 17,4). Recebendo todo o amor fontal do Pai, bebendo da torrente cristalina do amor fontal do Pai (Sl 110,7), Jesus, o Filho, é pura transparência do Pai, e pode, com toda a verdade dizer a Filipe: «Filipe […], quem me vê, vê o Pai» (Jo 14,9).

4. Tudo, no arauto, na mensagem que transmite (kêrygma) e no estilo com que o faz, remete para o seu Senhor. A primeira nota de todo o ANUNCIADOR ou arauto ou mensageiro consiste na sua FIDELIDADE Àquele que lhe confia a mensagem que deve anunciar. É em Seu Nome que diz o que diz; é em Seu Nome que diz como diz.

5. O missionário só tem autoridade na medida em que é fiel a Cristo e como Ele obediente, nada dizendo ou fazendo por sua conta e risco. Só pode dizer e fazer aquilo que, por graça, lhe foi dado ouvir, aquilo que, por graça, lhe foi dado ver fazer. O missionário não pode deixar de estar vinculado a Cristo, nele configurado e transfigurado. O Papa Bento XVI disse-o assim: «Tudo se define a partir de Cristo, quanto à origem e à eficácia da missão». E acrescentou este singular desabafo: «Quanto tempo perdido, quanto trabalho adiado, por inadvertência deste ponto» (Homilia da Santa Missa, Grande Praça da Avenida dos Aliados, Porto [Portugal], 14 de Maio de 2010).

Igreja da fidelidade
6. Impõe-se ainda dizer, é mesmo necessário ainda dizer, em jeito de conclusão ou de introdução, que aquilo que me parece ser mais importante na expressão «nova evangelização» não é tanto a novidade de métodos, expressões ou estratégias, mas a FIDELIDADE da Igreja ao Senhor Jesus (Paulo VI, Evangelii Nuntiandi [1975], n.º 41), ao seu estilo, ao seu modo de viver, de fazer e de dizer: Dom total de si mesmo num estilo de vida pobre, humilde, despojado, feliz, apaixonado, ousado, próximo e dedicado. Passa por aqui sempre o caminho e o rosto da Igreja, que tem de fazer a memória do seu Senhor, configurando-se com o seu Senhor e transfigurando-se no seu Senhor. Impõe-se, portanto, uma verdadeira conversão do coração, e não apenas uma mudança de verniz. Sim, temos necessidade de anunciadores do Evangelho sem ouro, nem prata, nem cobre, nem bolsas, nem duas túnicas (Mt 19,9-10; Mc 6,6-8; Lc 9,3-4)… Sim, é de conversão que falo, e pergunto: por que será que os Santos se esforçaram tanto, e com tanta alegria, por ser pobres e humildes, e nós nos esforçamos tanto, e com tristeza (Mt 19,22; Mc 10,22; Lc 18,23), por ser ricos e importantes?

+ António José DA ROCHA COUTO

domingo, outubro 14, 2012

Oração pela fé



Senhor, faz que a minha fé seja plena,
sem reservas
e que penetre o meu pensamento,
e o meu modo de julgar as coisas divinas e humanas.

Senhor, faz que a minha fé seja livre,
que tenha o empenho pessoal da minha adesão
e que eu aceite as renúncias e deveres que ela comporta.

Senhor, faz que a minha fé seja forte,
que não tema a contradição dos problemas
de que está cheia a minha vida,
que não tema as invetivas
de quem a ataca, a discute ou a nega,
mas que se reafirme na prova íntima da Tua verdade.

Senhor, faz que a minha fé seja alegre,
dê gozo e paz ao meu espírito,
e o capacite para a oração com Deus
e para o trato com os irmãos.

Senhor, faz que a minha fé seja ativa
e dê à claridade as razões da sua expansão moral,
de modo que seja verdadeira amizade contigo
e seja, nas obras, uma contínua busca de Ti,
um contínuo testemunho,
um alento ininterrupto de esperança.

Papa Paulo VI

sexta-feira, outubro 12, 2012

Ano da Fé - Nota Pastoral de D. Manuel Felício (Parte II aV)

3.Transmitir a num mundo secularizado
Este Ano da pede-nos também que procuremos formas de transmitir a outros, porventura baptizados mas mais ou menos esquecidos deste bem fundamental, de novo, a inquietação do encontro com Deus revelado na pessoa do Seu Filho único Nosso Senhor Jesus Cristo, ressuscitado e vivo no meio de nós.  De facto, nós sentimos que vivemos numa sociedade marcadamente voltada par a resolução dos problemas imediatos, onde  às pessoas falta tempo e disponibilidade de energias para se fixarem nas dimensões mais importantes da vida; uma sociedade onde se  prometeu o Céu na terra e só a partir dos seus recursos materiais. O certo é que este Céu prometido nunca veio nem nunca virá, porque dele se retira o que é essencial à realização do ser humano – a sua relação com Deus e nele a gratuidade das relações humanas. Quando tudo na vida se subordina à satisfação de necessidades materiais e imediatas, onde as relações humanas, a começar pelas relações familiares, são prejudicadas por modelos de vida baseados  só na procura do bem estar material do  individuo e na competição desenfreada que daqui resulta, necessariamente faltam  o tempo e as energias para o que é mais importante na vida das  pessoas e consequentemente geram-se situações onde cresce a sua insatisfação  e a falta de esperaa, a atingir  limites de angústia que não são de estranhar. Perante esta generalizada situação muito característica da cultura actual, que, todavia, não consegue desfazer a sede de Deus, entendemos a recomendação que nos faz o Santo Padre na sua carta apostólica, ao dizer: “A Igreja no seu conjunto, e os pastores nela, como Cristo, devem pôr-se a caminho para conduzirem os homens, fora do deserto, para lugares da vida, da amizade  com o Filho de Deus, para Aquele que dá a Vida, a Vida em  plenitude”. É este saborear da vida em plenitude, da vida que não se esgota no consumo de bens materiais e tudo o que deles se espera, como são o poder e o prazer, que de facto está a fazer falta às pessoas. E esse é o grande dom inerente àem Nosso Senhor Jesus Cristo.

4. A coragem da numa cultura sem Deus.
Acontece que o mundo de hoje marcado por forte tendência para a secularidade, pretende  esquecer esta fundamental dimensão da existência humana. Através de processos variados, os modelos de vida hoje na mod pretendem prescindir de Deus e do valor fundamental da . E de tal maneira estão a impor-se às sociedades, sobretudo as de tipo europeu ocidental, como a nossa, que o Santo Padre sente necessidade de nos pôr de  sobreaviso quanto a considerarmos a como  um pressuposto, passando a preocupar-nos só com as suas consequências. De facto, avisa-nos ele, “esse pressuposto não só deixou de existir como frequentemente  acaba por ser negado” (ver Porta Fidei, nº 2). É também isto mesmo que a observação atent de muitos  dos nossos ambientes acaba por nos confirmar. Deus e a , para crescente número de pessoas e várias compreensões do mundo, são realidades irrelevantes e, portanto, dispensáveis, chegando mesmo, algumas vezes, a serem consideradas um obstáculo para a completa autonomia da pessoa humana e para o desenvolvimento enquanto tal.
Esta atitude de recusa de Deus e da que alguns tomam e em número crescente – em Portugal,  segundo dados de inquérito sociológico recente, esse número atinge os 4,5% da população – não consegue, todavia abafar a sede e a fome de Deus, que continuam a marcar a realidade do homem contemporâneo.  E, por isso, havemos de estar preparados e, quanto possível, criar as condições necessárias para que também os homens e mulheres de hoje possam, como a Samaritana, abeirar-se do poço de Jacob e encontrarem em Cristo aquela água viva que eles, na realidade procuram e lhes pode matar a sede de uma vez para sempre. (Ver Porta Fidei, nº 3) O nosso contributo de cristãos baptizados e discípulos de Cristo para isso poder acontecer está principalmente em fortalecermos a nossa pessoal e comunitária, alimentando-nos da Palavra de Deus e da Eucaristia. Viver com  entusiasmo a relação com Deus, em Cristo, é a melhor maneira de abrirmos caminho para que outros descubram também a riqueza decisiva da para as suas vidas. Queremos, também para isso,  redescobrir, ao longo deste  ano,  a alegria de crer e reencontrar o entusiasmo de comunicar a nossa .

5. Recomendações
O Santo Padre para este Ano da pede-nos a todos  nós, membros da Igreja, a começar pelos Bispos e outros pastores, principalmente o seguinte: que intensifiquemos a reflexão sobre a nossa , concretamente sobre cada um dos artigos do símbolo dos Apóstolos; que ajudemos todos os fiéis a tornarem mais consciente e a revigorarem a sua adesão ao Evangelho, em hora de tão profundas mudaas sociais como aquela que actualmente estamos a viver; que escolhamos momentos fortes para professarmos conjuntamente a nossa , seja nas catedrais e nas igrejas, seja nas casas e nas famílias.

Ora, sabemos que a Cristã não é fruto somente do exercício da inteligência e da faculdade da razão, como também não resulta espontaneamente do simples exercício da ciência e da técnica.
consiste essencialmente no dom que Deus faz de si mesmo às nossas pessoas, no quadro da vida em Igreja. Ao dar-se a Si mesmo,  o próprio Deus também nos comunica, com garantias da sua própria autoridade, um conjunto de verdades que são importantes para a compreensão da nossa vida pessoal e da vida do mundo. Mesmo antes de acolherem este dom de Deus nas suas próprias vidas, há muitas pessoas que, dizendo-se embora sem, vivem em busca sincera do sentido último e d verdade definitiva acerca da sua existência e do mundo. Podemos considerar esta procura um verdadeiro preâmbulo da .
É nossa obrigação estarmos atentos a todos os sinais  da  Fé e da procura de Deus que possamos descobrir na vida das pessoas para as ajudarmos, quanto possível, a seguir o caminho que as poderá levar a saborear o autêntico encontro salvador com o Senhor das nossas vidas.
É  de grande significado que o Santo Padre tenha escolhido a celebração do cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II para convocar o Ano da . Com isso ele quer dizer-nos que  o Concilio não só não perdeu atualidade, mas sobretudo que nós precisamos de repensar as formas de viver , tanto a nível pessoal como das nossas comunidades, para as  pôr  de acordo com o mesmo Concílio.
E nós desejamos acolher este apelo do Santo Padre, na vida da nossa Diocese, e fazemo-lo, antes de mais, continuando o empenho de promover nos fiéis e nas comunidades o verdadeiro encontro com a Palavra de Deus para fortalecermos e purificarmos a nossa .
Desejamos também iniciar, neste ano, um esforço especial para a receção  do Concílio Vaticano II na nossa vida pessoal e na vida das nossas comunidades. Este esforço  queremos prolongá-lo para além  do Ano da , promovendo o máximo envolvimento das comunidades cristãs, a começar pelos seus párocos e demais cooperadores pastorais, no processo de melhorar a nossa vivência da e virmos a  definir orientações próprias  para as nossas comunidades nos próximos tempos, segundo as diretrizes do Concílio.
Que Nosso Senhor Jesus Cristo e Sua Mãe Maria Santíssima estejam connosco  nesta caminhada de renovação da . Com a sua ajuda, vamos procurar responder, da melhor maneira, ao apelo do Santo Padre para aprofundarmos e revigorarmos a nossa pessoal, para promovermos em outros o entusiasmo pela Pessoa de Jesus e o Seu Evangelho, para professarmos, com novo vigor, a nossa e a testemunharmos no meio do mundo.

Guarda, 21 de Setembro de 2012

+ Manuel da Rocha Felício, Bispo da Guarda

quinta-feira, outubro 11, 2012

Missão para Nova Evangelização


Ano da Fé - Nota Pastoral de D. Manuel Felício (Parte I e II)

Cultivar e viver a Fé  num mundo  seduzido pela secularidade


1.O que pretende o Ano da Fé
O Santo Padre Bento XVI convida-nos a viver o Ano da Fé desde este mês de Outubro até Novembro de 2013. É um convite sem trazer anexo qualquer programa especial, mas tão só para todos fazermos esforço no sentido de renovar e revitalizar a nossa fé em Jesus Cristo. Oportunidade deste convite é a celebração do cinquentenário do início do Concílio Vaticano II que, longe de ter perdido atualidade,  quando  lido e bem entendido, ou seja  sendo nós guiados por uma justa   hermenêutica, nas palavras do Papa, constitui, de facto, preciosa ajuda para a renovação da vida interna da Igreja, mas também para a  fecundidade  do seu diálogo e cooperação com o mundo (ver nº 5 da carta Porta Fidei). Por sua vez, querendo nós relembrar os conteúdos da nossa Fé e compreender mais profundamente o seu significado, sobretudo no resumo que dele nos faz o credo ou símbolo dos Apóstolos,  uma boa  ajuda no Catecismo da Igreja Católica, ele também fruto do dinamismo do Concílio e publicado pelo Papa João Paulo II em 1992,  passados trinta anos após o início do mesmo Concílio.

2. O decisivo da Fé – encontro com Cristo vivo
Lembra-nos o Papa Bento XVI, na sua Carta Apostólica Porta Fidei, com a qual convoca este Ano de Fé, publicada há um ano atrás, que com a nossa Fé como que se abre à nossa frente uma porta e, a seguir, se nos mostra um horizonte maravilhoso, em que toda a realidade vista e  experimentada ganha novo valor , novo sentido, nova beleza a partir da meta do Reino de Deus e da vida nova inaugurada pela Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Essa porta introduz-nos também numa longa caminhada – a caminhada da Fé, que nos vai ocupar ao longo de toda a nossa existência na terra, desde o Baptismo até à passagem através da morte para a vida eterna.
Nessa caminhada, mais ou menos longa, conforme os dias que nos for dado viver, há um objetivo prioritário, e, de alguma maneira, único, que  pretendemos atingir: é o encontro com Cristo  vivo e ressuscitado. Algumas vezes a própria história da transmissão e do ensino de Fé tem esquecido este ponto que lhe é essencial. Transmitem-se muitas histórias, muitos conhecimentos e muitas verdades sobre a Igreja, sobre o mundo, sobre a vida do próprio ser humano, incluindo a moral que o há-de regular, mas esquece-se, com alguma frequência, que tudo isso só tem valor na medida da sua relação com a Pessoa de Jesus Cristo Ressuscitado e presente na Sua Igreja para serviço das pessoas e da  sociedade. Temos de procurar, ao longo do Ano da Fé, retomar  e refrescar esta verdade fundamental do encontro com Cristo Ressuscitado e Vivo.
O próprio Catecismo da Igreja Católica procura,  na sua organização e métodos, colocar a relação com Cristo  vivo no centro dos conteúdos da Fé e,  a partir dela, apresentar a Fé celebrada, mas também a Fé professada, segundo o seu resumo no credo, a Fé rezada no Pai nosso e nas outras formas de oração e depois a Fé vivida, como expressão moral do dinamismo de Cristo Ressuscitado (ver Porta Fidei, n. 9). É esta experiência feliz do encontro com Cristo ressuscitado e vivo, que somos convidados a refazer e aprofundar, como cristãos baptizados e empenhados na vivência da Fé, ao longo deste ano.