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sábado, março 16, 2013

«Quem de entre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra» (cf Jo 8,1-11) – V Domingo da Quaresma – Ano C



Com alguma facilidade se julgam os comportamentos do próximo e se fazem juízos de valor acerca de tudo e de todos. Não com a mesma facilidade se abre a possibilidade de uma nova página na vida de quem erra. Por estas duas razões, penso que a Palavra de Deus, neste Domingo, nos quer ajudar a abrir o coração para que possamos ser mais amorosos e misericordiosos uns para com os outros. 

Recorda-nos o profeta Isaías a desilusão e a tristeza que o Povo tem no exílio da Babilónia. A ânsia por uma nova libertação das amarras da opressão e da escravidão. E eis que Deus se manifesta dizendo que vão regressar a casa e que o retorno vai ser mais fácil do que quando voltaram do Egito. Porquê mais fácil? Talvez porque agora o Povo já compreendia de um modo mais perfeito a “vida nova” que é oferecida por Deus. Talvez porque agora a conversão dos seus corações já seja mais verdadeira e sentida. Talvez para que se recordem sempre da misericórdia e do amor de Deus.

Chama S. Paulo a atenção para a maratona da nossa vida que não tem uma meta cortada, ou seja, um fim. É preciso um esforço continuo para se conhecer mais e melhor Jesus e para que o “lixo” que ocupa a vida, seja deitado fora e dê lugar à identificação com Ele. De que serve dizer-se ser cristão se a vida em nada é um esforço para se confrontar com a vida/palavras de Jesus Cristo?

Pois para conhecer é preciso entrar em oração, em meditação e reflexão. Jesus em cada dia retira-se para orar e só depois ensina. Falava do Pai, da prática do bem, da opção pelos mais pobres e fragilizados, escolhia os mais pequenos para exemplo de vida, contava parábolas para melhor ilustrar a mensagem. Mas eram alguns os que não gostavam dos seus ensinamentos de liberdade e amor universais. Por isso a cada pouco O testavam. Ao ponto de levarem alguém que foi apanhado em flagrante adultério e lhe dizerem que a Lei mandava matar essa pessoa. Claro que Jesus aproveita o momento para duas coisas: primeira para ensinar que não nos devemos andar a matar uns aos outros, pois Deus não quer a morte; segunda, para ensinar que o pecado é parte da fragilidade humana e, talvez por isso, “quem de entre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra”.

Um coração de amor e de misericórdia que se esforça por transformar/converter constantemente! Esta é a grande maravilha que o Senhor continua a oferecer a todos nós, seu povo, em mais um desafio no tempo da Quaresma.
Pe Ângelo Martins

quinta-feira, março 14, 2013

Papa Francisco I

O cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio, de 76 anos, foi hoje eleito como novo Papa da Igreja Católica, o primeiro do continente americano, e escolheu o nome de Francisco I.

“Sabeis que o dever do Conclave era dar um bispo a Roma: parece que os meus irmãos cardeais foram buscá-lo quase ao fim do mundo”, disse, na primeira aparição perante cerca de 150 mil pessoas que lotaram a Praça de São Pedro, no Vaticano.
O novo Papa, religioso jesuíta, surpreendeu os presentes ao pedir “um favor”, antes de dar a sua tradicional bênção neste encontro inicial.
“Peço-vos que rezem ao Senhor para que me abençoe, a oração do povo pedindo a bênção pelo seu bispo. Façamos em silêncio esta oração”, declarou, conseguindo calar a multidão que se encontrava em festa há cerca de uma hora, após a saída do fumo branco da chaminé colocada sobre a Capela Sistina.
A primeira bênção seria, posteriormente, estendida a "todo o mundo, a todos os homens e mulheres de boa vontade".
O Papa começou por desejar uma “boa noite” aos presentes e agradeceu o “acolhimento” da comunidade de Roma.
Francisco I começou por propor uma oração pelo Papa emérito, Bento XVI, para que o “Senhor a abençoe”.
A intervenção aludiu depois a um “caminho” que começa, unindo “bispo e povo”, na Igreja de Roma, “aquela que preside na caridade a todas as Igrejas”.
“Um caminho de fraternidade, de amor, de confiança entre nós”, precisou.
“Rezemos sempre por nós, uns pelos outros, por todo o mundo, para que haja uma grande fraternidade”, acrescentou o novo Papa.
Francisco I deixou votos de “este caminho da Igreja” seja “frutuoso para a evangelização desta tão bela cidade (Roma)”.
"Irmãos e irmãs, agora deixo-vos: obrigado pelo vosso acolhimento. Rezai por mim, vemo-nos em breve, amanhã quero ir rezar a Nossa Senhora para guarde toda a (cidade de Roma). Boa noite e bom descanso", disse, ao despedir-se.
O fumo branco saiu hoje da chaminé colocada sobre a Capela Sistina a partir 19h06 locais (menos uma em Lisboa).
O sucessor de Bento XVI, que renunciou ao pontificado, foi eleito no quinto escrutínio da reunião eleitoral iniciada esta terça-feira, à porta fechada, pelas 17h34 (hora de Roma).
Francisco I tem menos dois anos do que Joseph Ratzinger quando este foi eleito em abril de 2005, aos 78 anos.
O agora Papa emérito, de 85 anos, renunciou por causa da sua “idade avançada”.

sábado, março 09, 2013

“encheu-se de compaixão e correu a lançar-se-lhe ao pescoço” (cf Lc 15,1-3.11-32) - IV Domingo da Quaresma - Ano C



O nosso Pai é assim, surpreendente: “encheu-se de compaixão e correu a lançar-se-lhe ao pescoço”. Não perde um momento para nos encher de misericórdia e nos dar um abraço cheio de amor e dinamismo radical e movimentado. Mas eu, nós, nem sempre entro nesta dinâmica da misericórdia. 

Jesus, no caminho para Jerusalém, mostra aos discípulos o rosto da misericórdia de Deus através de três parábolas: ovelha perdida, dracma perdida e filho pródigo (ou Pai misericordioso). Não é fácil entrar na “pele” deste pai que depois de dar tudo o que o filho pede, e de perceber que ele esbanjou tudo em atos de loucura, egoísmo , irresponsabilidade e rebeldia, mesmo assim o recebe de braços abertos. Talvez alguns pais recebessem os filhos, talvez outros não os recebessem. O impressionante é a alegria do acolhimento, pois o pai nem deixa que o filho se aproxime, mas vai ele mesmo a correr ao seu encontro.

É assim o nosso Deus. Dá-nos a vida e alegra-se cada vez que O reconhecemos como parte fundamental e essencial da nossa existência. Este pai da parábola é o nosso Deus, o Pai de Misericórdia que espera sempre por mim e por cada um de nós, seus filhos rebeldes e egoístas. Filhos que por vezes lhe viramos a cara para caminhar em direção a outros lugares, mas que queremos d’Ele tudo o que precisamos para nos manter vivos: vida, paz, saúde, unidade, entre tantas outras coisas… Pai que se revela de uma compaixão imensa para com a nossa maneira de ser e que faz uma grande festa, sempre que tornamos a Si.

Mas e não seremos por vezes também o filho mais velho? Que estando sempre com o pai, acompanhando-o sempre, nos achamos no direito de não deixar que ninguém retorne ao nosso grupo depois de o ter abandonado? Talvez por vezes não consiga(mos) acolher com misericórdia aqueles que abandonaram e que agora ou noutro tempo voltam e precisam no abraço da compaixão e da alegria do sorriso.

Neste tempo de quaresma, em que preparamos a Páscoa, transformemos a vida, preparando o nosso ser com uma verdadeira e sincera “circuncisão do coração” (à semelhança da circuncisão que Josué fez para o Povo antes da celebração da Páscoa), de modo a que a reconciliação seja a nossa íntima união ao Senhor, para com Ele vivermos em paz e serenidade e assim estendermos conseguirmos fazer reconciliação com o próximo e celebrar a Páscoa na alegria da esperança da Ressurreição.

Pe Ângelo Martins 

sábado, março 02, 2013

“Senhor, deixa-a ficar ainda este ano, que eu, entretanto, vou cavar-lhe em volta e deitar-lhe adubo. Talvez venha a dar frutos.” (cf Lc 13,1-9) - III Domingo da Quaresma - ano C



Estou convencido das inúmeras oportunidades que o Senhor me/nos concede para encontrar o caminho do Bem e da Verdade. Perante uma multiplicidade de caminhos que são oportunidades de escolhas múltiplas, o Senhor aparece sempre como o sentido da existência, como a oportunidade a agarrar.

Ele manifesta-se de muitos modos ao longo da história da humanidade. A Moisés chamou-o através da sarça ardente e comprometeu-o através da missão da libertação do Povo do cativeiro do Egito. Deu a conhecer ao profeta a Sua realidade: “Eu sou aquele que sou”. O Senhor de hoje, mas também do ontem e do amanhã. Deus manifestou-se e continua a manifestar-se sempre que cada um de nós tem a coragem de lutar pelos valores do Bem e da Verdade. Sempre que conseguimos sair da passividade da rotina diária e recriamos a vida para fazer mais alguma coisa pelo bem do próximo. O Senhor está presente! O Senhor manifesta-se!

O fruto do coração apresenta-se ao Senhor quanto mais verdadeira e sincera for a nossa comunhão com Ele, na relação com o próximo. De que adianta “cumprir” ritos, se o coração não vive o que se pratica e celebra? S. Paulo lembra-nos que o Povo foi conduzido pelo deserto e alimentado por Deus, mas cedeu aos ídolos. Por isso é que a nossa comunhão com Deus deve ser um ideal de aperfeiçoamento e não um ideal de cumprimento. O que é o ideal da vivência cristã: os ritos participados ou a comunhão vivida com sinceridade de coração nos ritos e na vida quotidiana?

Por causa da nossa fragilidade humana é que o Senhor, na Sua imensa Bondade não se cansa de nos dar oportunidades para produzirmos bom fruto. Que fruto é que dia após dia o nosso coração apresenta ao Senhor? “Deixa ficar a figueira mais este ano,… vou cuidar dele,… talvez venha a dar fruto…” Ele planta, Ele dá oportunidades, Ele dá tempo, Ele vai tratando,… e eu/nós o que vou fazendo? O que tenho mudado neste tempo da Quaresma? No meu encontro com Deus e com o próximo, que frutos tenho apresentado? 

Pe Ângelo Martins
Quais são os valores que são verdadeira prioridade na minha vida?

O que é a Quaresma?