Paróquias
Adão, Ade, Albardo, Amoreira, Cabreira, Casal de Cinza, Castanheira, Cerdeira do Côa, Marmeleiro, Mesquitela, Miuzela, Monte Margarida, Monteperobolso, Parada, Porto de Ovelha, Pousade, Rochoso, Seixo do Côa, Valongo do Côa, Vila Fernando e Vila Garcia

terça-feira, dezembro 30, 2014


NATAL…     Sagrada Família 2014

     Já nos chamou a atenção a quantidade de lojas que apareceram nas cidades para comprar  ouro. É sabido como muita gente vende os anéis e colares, por vezes tão estimados, para pagar a luz ou a comida. E também ouvimos dizer que, quando o dinheiro não está seguro ou varia muito de valor,  há quem compre barras de ouro para guardar, porque este não perde o valor. E o curioso é que o ouro até nem é muito prático e funcional, pois temos de ter cuidado, para não o perder ou ser roubado. E quanta gente anda com colares dourados, mas falsos, enquanto o verdadeiro está em casa bem guardado…  “inútil”.

     Esta pode ser uma comparação para a festa de hoje. Celebramos a Sagrada família, a de Jesus. E lembramos as nossas famílias, e o dom de termos e sermos família. Também hoje, em tempos de crise económica, familiar e social, sabemos com frequência que a família, os pais-avós, têm sido a salvação de muitos jovens desempregados, divorciados, ou com filhos a cargo. Que voltam a habitar com os pais reformados, que ajudam nas despesas e na educação. Isto é: a família bem estruturada, estável no amor, organizada economicamente, forte nos valores educativos, continua a ser de “ouro verdadeiro”, que não perde o valor, -  antes cresce.!- quando a sociedade inventa famílias a prazo, economias de competição e adopta princípios destruidores das pessoas e da sociedade, isto é de “ouro falso”, de fantasia.

     Até podemos desculpar-nos que a família tradicional, hoje, é impossível, ninguém aguenta! … é mais funcional usar uma família a prazo, constituída por membros de género indefinido, de número indefinido – ainda estaremos para assistir a muitas variantes e aberrações!  Pois seja: quem não alcance ou aguente “ajunte-se” ao que quiser! – Mas, que as sociedades e Estados tenham ao menos o bom senso, o interesse público, de distinguir o que não pode ser igual. De respeitar e salvaguardar  o que vale ouro e é ideal, daquilo que é imitação, fantasia.

   Se acreditamos no valor perene da Palavra de Deus, então hoje o sábio diz-nos que os filhos, não se confundem com os pais nem estão ao mesmo nível - também o dizem os psicólogos e pedagogos, embora a pressão de alguns “movimentos de corrosão” vão conseguindo impôr a confusão de papéis, de relações que falsificam a educação...  Os pais merecem respeito, atenção, veneração, e até compreensão quando as faculdades faltarem. Eles são figura de Deus na geração da vida e na educação . O que não justifica abusos ou despotismo! Os filhos continuam a ter deveres para com os pais!!! – pena é que pareça crime dizê-lo!

    Também Paulo recorda que a nossa união em Cristo, a nossa nova condição de Filhos de Deus faz-nos a todos iguais, é certo!  e traz-nos deveres mútuos de “misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência”. Mas essa igualdade não destrói, nem confunde, o papel distinto e próprio de cada um na família. Claro que há funções domésticas que mudam e evoluem… mas o pai, a mãe e os filhos, têm cada um o seu lugar, que o verdadeiro amor valoriza em cada um, para bem de todos.

            O Evangelho destaca esta consciência da família como instituição sagrada, querida por Deus – a quem pertence a vida do primogénito. Por isso oferecem o Menino no templo.   Depois, faz-nos entender que cada um de nós – e Jesus muito particularmente! - tem uma missão no mundo, por mais simples e vulgar que ela seja. E hoje ainda melhor o compreendemos, pois a nossa vida sai bastante cedo do âmbito familiar para o social.  Isso implica o crescimento integral da criança/jovem  em “robustez, sabedoria e Graça”, sob a influência e protecção da família (de Nazaré e de cada um de nós!).   Interessante ainda é o papel de Simeão e Ana - dos idosos! Representam a sabedoria e a experiência, amadurecidas na “justiça e piedade” … que depois levam a ver o futuro – do Menino e dos pais-  com lucidez profética.  Representam ainda a paz e serenidade de uma “vida cumprida, realizada” que lhes abre as portas ao merecido descanso em Deus. Quantos idosos, rodeados de filhos e netos, rezam com verdade e com fé e em paz, estas mesmas palavras !”Que Deus me leve! Já estão todos bem arrumados!”

      Demos graças a Deus pela família que tivemos e somos. E que todas se pareçam e aproximem da Família de Nazaré:  SÃO OS MELHORES VOTOS PARA O ANO DE 2015.
                                                                                            (Pe. António Coelho)

 

sexta-feira, dezembro 19, 2014

Ave Maria,cheia de Graça!


                                                   4º Domingo do Advento B    
    Ao longo da História os grandes gostaram de imortalizar-se deixando monumentos, grandes obras. É possível que também David, depois de construir e pacificar um grande país fosse tentado a deixar a sua marca na história e agradar ao povo, construindo um templo digno do Deus único, que o escolhera a ele e o mandara ungir para guiar o seu povo. É este propósito que comunica a Natan, o líder espiritual do povo.
   Surpreende, é novidade, a resposta de Deus: “Está quieto e descansado! Já viste o meu poder e predilecção por vós! Pois bem: serei eu quem cuidará do meu povo; eu lhe darei um lugar – a terra prometida desde  Abraão – e a ti darei uma casa, uma família, uma linhagem real que permanecerá para sempre”.
     Como se dissesse: “de que me servem as casas e templos se eu sou o todo poderoso que habita no céu e na terra!? Que podereis fazer vós, meu povo, que seja digno de mim ou me faça falta? Como poderei eu ser encerrado num templo, por mais rico que ele seja?!
     Deus faz então perceber que a sua verdadeira morada entre nós são as pessoas, o coração e vida das pessoas, onde Deus fala na intimidade da consciência. De todas as pessoas, seja qual for a sua crença, pois… diz a Igreja do Vat.II: “ O homem não se engana quando se reconhece superior à coisas materiais e não apenas um elemento da natureza ou da sociedade. Pela sua interioridade, pela sua alma, excede o universo: é esta profundidade que ele atinge quando entra no seu coração, onde o espera Deus que conhece e está nos corações e onde, pessoalmente, perante o olhar de Deus, decide o seu próprio destino.” GS.14.
    Deus faz perceber que outro lugar da sua presença e de encontro connosco é o seu povo que O ama e adora, “pois Deus quis que todos os homens constituíssem uma só família” à imagem dele próprio, que é família, Trindade de pessoas. Por isso Deus anuncia que David e a sua família serão sua morada : Ele será representante de Deus, que guia, protege, vela pelo bem do seu povo, que defende os mais fracos. E Israel vê no seu rei o ungido, o consagrado e escolhido por Deus para O representar e manter o seu povo nos caminhos da Aliança. Por isso, Jesus será chamado filho de David, virá da sua descendência.
      Esta promessa concretiza-se realmente, “em carne e osso”, na Incarnação do Filho de Deus no ventre de Maria de Nazaré. Neste acontecimento, Deus faz-se humano, um da nossa espécie e condição. Neste acontecimento, Deus “toma casa”, faz-se íntimo, ao mais alto grau, de uma mulher da nossa raça, ao ser concebido no seu ventre. Assim, Aquele que nenhum templo pode conter, cabe na pequenez e intimidade de um seio materno…e prolonga agora a sua presença e acção mediante a Igreja-Povo de Deus.
            Ao longo do ano escutamos e meditamos várias vezes este texto da Anunciação ou da Incarnação do Filho de Deus. Permitam que acentue esta atitude de Deus para connosco:
  -Salve, ó cheia de graça! É significativa esta entrada! O nosso Deus é “bem educado”, saúda uma simples mulher e pede licença…porque nos criou como pessoas livres e nos respeita como pessoas responsáveis, mesmo quando lhe dizemos não e voltamos as costas, como fazemos ao pecar. Não é demais lembrar isso, pois o Deus que acreditamos, que se revelou no Natal, é este Deus próximo, que se faz igual a nós, que se coloca ao nosso nível. Bem distinto do Deus que às vezes inventamos e temos na nossa cabeça: distante, de outro mundo, de meter medo, estranho, juiz, inquisidor…
 - Um Deus que se explica e justifica: Não temas Maria ! Um Deus que não nos trata por parvos e brutos mas que dialoga com os humanos que Ele criou inteligentes, que têm dúvidas, que se perguntam “como é?”… É a atitude da nossa fé, de qualquer crente: como é que é isso? Ressurreição? Eucaristia? Igreja? Rezar? Como se entende? A Fé é certeza e descanso pois tem a Palavra de Deus por garantia.
- Um Deus que só dá boas notícias: “Darás à luz um Filho”, Jesus, isto é, “Deus salva”. O mal não vem dele. Nenhum mal vem por Ele…por mais que nós o culpemos de tudo. Ele joga por nós e connosco na vida. É o nosso melhor, maior e mais fiel aliado.
- Um Deus que prova o que diz e promete: “Se estás com dúvidas pergunta à tua prima Isabel o que se passou, ela que já passou da idade!”. O Deus dos sinais!: da natureza e da criação, da beleza e dos mistérios humanos. Do sinal máximo que podia dar-nos: o Seu Filho. Do sinal que este nos deixou: a sua Igreja com o ministério que exerce em seu nome e poder.
- Um Deus que pode fazer o que diz: “Porque a Deus nada é impossível”. Poder não para fazer espectáculo de magia ou satisfazer os nossos caprichos ou necessidades imediatas. Mas um Deus que tudo pode, agindo com Sabedoria, isto é, sempre para o maior bem do homem, de todos os homens e do mundo, -  o que tantas vezes estamos longe de poder e querer entender!!
            Que a Palavra de Deus, fecundada pelo Espírito Santo, nos torne firmes na compreensão e vivência deste mistério do Amor de Deus, revelado no Natal – como diz Paulo (Ro.16). Mistério da Incarnação de Deus que é, ao mesmo tempo, a revelação da grandeza humana e do destino extraordinário para que Deus nos criou: o destino de sermos filhos de Deus e participantes da Sua Vida.                                                                        (Pe. António Coelho)

sábado, dezembro 06, 2014

Preparai o caminho do Senhor!


2º Domingo do Advento   B    2104 
   “Consolai!Animai o meu povo!” É a primeira palavra de Deus, pelo profeta Isaías, ao seu povo, anunciando a sua próxima libertação do exílio.
     Palavras oportunas para todas as épocas da história, pois em todos os tempos aguardamos uma nova e maior libertação. Porque toda a história é tempo de Advento, na Esperança de que um dia alcançaremos, no encontro definitivo com Deus, na Vinda do Senhor, a plenitude e a definitiva libertação e felicidade.
      Até lá, no entanto, não podemos estar parados. Cabe-nos fazer a nossa parte do caminho para chegar ao encontro com Deus. As leituras dizem-nos qual é a parte do nosso esforço a fazer.
      Isaías diz que o caminho para Deus tem de ser fácil, directo. Por isso há que vencer as barreiras que nos barram o caminho: abater o nosso orgulho, autossuficiência, egoísmo; elevar o nosso nível de oração, vida cristã, caridade e justiça. Então, aí bem perto, estará o vosso Deus! Bem íntimo no vosso coração, e bem visível na cara do irmão.
     E este caminho deve ser percorrido por todos: sobe à montanha, levanta a voz e proclama. De facto, se a fé é vivência pessoal, ela é também património, vivência comunitária. Professamos a mesma fé; formamos uma só família e só um esforço conjunto poderá tornar efectivo, já agora, este mundo melhor.  
     S.Pedro, por sua vez adverte e previne:  Não espereis que este mundo feliz, agora, cá na terra, aconteça de repente; Nem conteis que o fim do mundo seja já no ano 2000, ou em qualquer data que alguns se ponham a inventar. Para Deus o tempo não conta: um dia ou mil anos, no calendário da eternidade, valem o mesmo. Deus cumpre sem falhar…mas é paciente, não nos força, dá-nos todo o tempo, para fazermos a nossa parte do caminho, nos convertermos e mudarmos pouco a pouco as estruturas deste mundo: Deus ainda nos dá tempo para revertermos a mudança climática, por que o terceiro mundo chegue ao nível do primeiro, por acabar com a fome e as guerras….Agora é preciso que vós queirais!!   Até porque o tempo de cada um, o caminho de cada um, pode ter um fim quando menos se espera –pode chegar ao fim em qualquer curva, como ladrão que espreita e ataca. Por isso não se pode dormir nem adiar para amanhã o que deves ser e fazer hoje. ”Empenhai-vos, sem pecado nem motivo de censura, por que o Senhor vos encontre na paz”.
      O Evangelho recorda-nos que este Reino de Deus já começou. J.Batista já passou; Jesus já veio, disse o que tinha a dizer; fez quanto tinha e pôde fazer; já fomos baptizados no Espírito. Agora é a nossa vez de continuar a missão: de consolar este mundo sem esperança; de ser nas famílias e na sociedade o fermento e o sal que transforma e dá sabor a esta vida, para podermos alcançar a sua perfeição e plenitude na dimensão futura, no Céu. Cabe-nos agora a nós sermos os mensageiros impertinentes, austeros – “vestidos de pele e alimentados de gafanhotos”- para enfrentar os “herodes” deste mundo, e apontar o Salvador que já está e vive entre nós.
                                                                                                                 (Pe. António Coelho)

sábado, novembro 15, 2014

"Vem tomar parte na alegria do teu senhor" (cf Mt 25,14-30)






Colocar a render os dons que o Senhor nos dá, é fazer da vida um próprio dom que dá fruto e não é uma apatia e uma fonte de energia estática. Cada um de nós, crentes, pode empenhar-se/esforçar-se em ser testemunha comprometida com o Senhor. Este compromisso não acontece de vez em quando, mas de forma ativa e permanente todos os dias.
A mulher virtuosa é que a vive diariamente os valores do trabalho, do compromisso, da generosidade e do temor de Deus. Tanto a mulher como o homem são virtuosos se assim viverem dia após dia, pois ambos são/somos administradores dos bens e dons que o Senhor dá. Assim, questiono-me se vivo sempre (todos os dias) os valores do reino. Se todos os dias me esforço por viver com eles no horizontes das palavras e das ações. Mas se não vivo assim, então em que valores baseio a minha existência?
S. Mateus ao relatar a parábola dos talentos diz que há três que recebem talentos, mas dos três dois fazem-nos render, mas um guarda-o para si mesmo. O Senhor que dá os talentos é Deus e todos nós somos os servos que recebemos, mas não agimos todos da mesma maneira. O que faço com os talentos recebidos de Deus? Jesus conta esta parábola por duas razões que o evangelista nos deixa aperceber: 1. O reino de Deus é exigente e faz com que cada um se comprometa com ele; 2. Aquele que não coloca os seus talentos a render fica sem nada e sem ver o Filho do homem. Então, os bens que Jesus me deixa confiados, coloco-os a render ou guardo-os para mim mesmo? Sou dos que arriscam viver comprometidos com o Reino ou dos que se sentam e só querem ser espectadores do mesmo Reino? Sou servo que construo o mundo ou que me sento?
“Permaneçamos vigilantes e sóbrios”, escreve S. Paulo. Sejamos crentes de verdade com as atitudes de um crente e não sejamos crentes adormecidos para o mundo que já vai dormindo…

Pe Ângelo Martins

segunda-feira, novembro 10, 2014

Calendário - Secretariado Diocesano da Liturgia


SECRETARIADO DA LITURGIA DA DIOCESE DA GUARDA
Calendário do Ano Pastoral 2014/15

NOVEMBRO
08 – SÁBADO – Escola de Ministérios Litúrgicos | início do Curso de Organista – Seminário Maior da Guarda – 10h00.
22 – SÁBADO – Preparação dos tempos litúrgicos | ministérios da música (cantores, salmistas, directores de coro, directores do canto da assembleia) - O canto no tempo do ADVENTO – Valverde (Fundão) 96 11 40 284  – 10h30 -13h00 e 14h00 -16h30.
29 – SÁBADO – FORMAÇÃO PERMANENTE MINISTROS EXTR. COMUNHÃO – Covilhã (Centro Cultural – 275 323 142) – 10h00 - 17h00.
DEZEMBRO
13 – SÁBADO – FORMAÇÃO PERMANENTE MINISTROS EXTR. COMUNHÃO – Gouveia (Casa Rainha do Mundo – 238 492 170 ) – 10h00 - 17h00.
20 – SÁBADO – Preparação dos tempos litúrgicos | ministérios da música (cantores, salmistas, directores de coro, directores do canto da assembleia) - O canto no tempo do NATAL – Valverde (Fundão)  96 11 40 284  – 10h30 -13h00 e 14h00 -16h30.
JANEIRO
10 –SÁBADO– FORMAÇÃO PERMANENTE MINISTROS EXTR. DA COMUNHÃO, Guarda (Centro Apostólico D. João de Oliveira Matos – 271 213 610) – 10h00 - 17h00.
24 – SÁBADO (10h00)  e 25 – DOMINGO:
 CURSO PARA NOVOS MINISTROS EXTRAORDINÁRIOS DA COMUNHÃO, Guarda (Centro Apostólico D. João de Oliveira Matos – 271 213 610).
FEVEREIRO
21 – SÁBADO – Preparação dos tempos litúrgicos | ministérios da música (cantores, salmistas, directores de coro, directores do canto da assembleia) – O canto no tempo da QUARESMA – Trancoso – 10h30-13h00 e 14h00-16h30. (almoço livre)
MARÇO
21 – SÁBADO – Preparação dos tempos litúrgicos | ministérios da música (cantores, salmistas, directores de coro, directores do canto da assembleia) - O canto na Semana Santa – Trancoso – 10h30-13h00 e 14h00-16h30. (almoço livre)
MAIO
01 – SEXTA – Peregrinação Nacional dos Acólitos – Fátima.

Outros possíveis encontros/acções serão divulgados atempadamente.

IMPORTANTE:
Pede-se a comunicação antecipada do número de participantes em virtude do material de apoio.  
Para almoçar no local da formação: telefonar para lá pelo menos 3/4 dias antes!
NB Em Valverde, cada dia de formação fica em sete euros (com almoço incluído), a pagar no próprio dia.
SECRETARIADO DA LITURGIA DA DIOCESE DA GUARDA (Pe José Dionísio)

Rua D. José A. Matoso, nº7, 6300-682 Guarda; 96 741 27 71, jodionissio@gmail.com.

domingo, novembro 09, 2014

Semana dos Seminários 2014 - Oração

clique na imagem para fazer a oração

sábado, novembro 08, 2014

"Padres para testemunhar a alegria do Evangelho" - Semana dos Seminários 2014

Nota pastoral sobre a Semana dos seminários
Padres para testemunhar a alegria do Evangelho

De 9 a 16 deste mês de Novembro celebra-se a semana nacional dos seminários.
Desde há cinco séculos a esta parte que os seminários são os instrumentos de que a Igreja se serve para selecionar e preparar os seus padres. Por isso, o seminário é considerado a menina dos olhos de cada Diocese e mesmo frequentemente chamado o coração da Diocese.
A nossa Diocese da Guarda teve o seu primeiro seminário em 1601, na sequência das recomendações feitas pelo Concílio de Trento. Este seminário foi utilizado até à revolução de 1910. Sensivelmente duas décadas depois, passámos a ter o nosso Seminário Maior com as instalações que actualmente possui. Paralelamente tivemos primeiro o Seminário Menor do Mondego, que também foi compulsivamente retirado à Diocese com a mesma revolução de 1910 e, a partir de 1915, para substituir este,o Seminário Menor do Fundão. 
Agora, a nossa Diocese é servida pelo Seminário Maior interdiocesano sediado em Braga, junto da Faculdade de Teologia, pelo Seminário Menor, este ano colocado na Guarda, e pelo Pré-Seminário ou Seminário em família.
Assistimos, assim, sobretudo nas últimas décadas, a profundas mudanças nos nossos seminários. Permanece, isso sim, a vontade de que a formação sacerdotal seja cada vez mais o serviço de qualidade que a Igreja pretende e as comunidades  cristãs e a própria sociedade precisam.

Precisamos de padres que sejam, de verdade,  testemunhas e anunciadores da alegria do Evangelho. E o seminário há-de saber prepará-los para esta missão. Por isso, mais do que um espaço físico, o seminário tem de ser, em primeiro lugar, a comunidade dos discípulos que se entusiasmam a aprender com o Mestre e se deixam conduzir por Ele. Sendo assim, o seminário tem de ser primeiro que tudo comunidade que reza e ensina a rezar saboreando a riqueza da santificação dos diferentes momentos do dia, principalmente através da Liturgia das Horas. Há-de ser comunidade que aprende na escuta atenta da Palavra e recebe da Eucaristia diária o alimento necessário para a caminhada da Fé. Pede-se-lhe também que ajude cada um a despertar para a consciência das suas capacidades e limitações e mesmo dos erros que é necessário corrigir.
E porque do Padre se espera que seja homem de Deus e conhecedor dos mistérios da Fé e da beleza do Evangelho que é chamado a anunciar, ele tem de ser perito em humanidade. Por isso, o Seminário há-de ser também o espaço onde se cultivam as virtudes humanas, tais como a cooperação, a sinceridade e transparência de vida, o sentido da partilha, a experiência de vida comunitária, o gosto pelo trabalho e mesmo pela disciplina de vida pessoal.
A formação teológica é importante dimensão da formação sacerdotal, que, nas actuais circunstâncias, também condiciona  a vida do Seminário. Assim, houve tempos em que cada Diocese, com seu seminário, podia organizar de forma autónoma os estudos teológicos para os seus futuros padres. Isso deixou de ser possível e, por consequência, o nosso Seminário Maior tem de estar sediado fora do espaço físico da Diocese e em parceria com mais três outras dioceses, junto de um centro da Faculdade de Teologia da Universidade Católica.
Trabalhamos para que esta nova condicionante do nosso Seminário Maior seja também uma nova oportunidade, nomeadamente para aprofundar conhecimentos, alargar relações e partilhar experiências.

Precisamos de padres verdadeiramente apaixonados pela pessoa de Cristo e pelo seu Evangelho; e também decididos a dar a vida para que a alegria do Evangelho e a salvação nela implicada cheguem aos homens e às mulheres do nosso tempo. Padres que sejam autênticos discípulos e pastores, segundo o coração de Cristo. Este é o perfil do padre que o seminário deseja preparar e oferecer às comunidades.
Por sua vez, das mesmas comunidades é legítimo e cada vez mais necessário esperar estreita cooperação para se promover uma pastoral das vocações sacerdotais adaptada aos novos tempos.
Sendo assim, é muito louvável a existência de grupos de oração pelas vocações sacerdotais em diferentes paróquias. Onde não existem estes grupos de oração e apoio às vocações é bom que se criem, sendo recomendável que valorizem, por exemplo, tempos fortes de adoração eucarística nas primeira quintas-feiras de cada mês. 

Diz o Papa Francisco, na sua mensagem para o dia mundial das missões deste ano, o seguinte: “Em muitas regiões do mundo escasseiam as vocações ao sacerdócio e à vida consagrada. Com frequência, isso fica-se a dever à falta de um fervor apostólico contagioso nas comunidades, o que faz com que as mesmas sejam pobres de entusiasmo e não suscitem fascínio”. Pede-se por isso, às nossas comunidades redobrada colaboração com o nosso Pré-seminário ou Seminário em família, quer para descobrir e indicar os possíveis candidatos ao seminário, quer solicitando a sua participação em acções que possam fortalecer a Fé e o entusiasmo apostólico das mesmas.
Por sua vez, o Pré-Seminário há-de saber oferecer às comunidades um programa de formação e acompanhamento para os que se dispõem a fazer caminhada vocacional. Tal programa incluirá acções de sensibilização das comunidades com vista ao despertar das vocações sacerdotais, mas sobretudo encontros regulares de formação com possíveis candidatos ao seminário e contactos regulares com eles, pelos meios considerados mais convenientes. Fará acompanhamento cuidadoso daqueles que já se sentem mais declaradamente chamados a fazer o seu discernimento vocacional, e isto de forma adaptada às diferentes idades e circunstâncias.

Finalmente, todos sabemos que os nossos seminários são escolas que vivem do exclusivo contributo material da Diocese e das Famílias. O ofertório das diferentes comunidades cristãs no dia dos seminários tem sido um bom sinal da responsabilidade que graças a Deus elas já manifestam para com o Seminário. Precisamos de o completar com algumas bolsas de estudo que possam vir a garantir a sustentabilidade deste serviço fundamental para a vida da Diocese. E também graças a Deus que já temos alguns sinais de boas vontades que vão nessa direcção.
Para terminar, demos graças a Deus pelos pastores que ele continua a oferecer-nos para nos conduzirem à fonte da Sua Palavra e ao banquete da  Eucaristia. Peçamos pelos pastores que já o são, para que sejam cada vez mais santos e dedicados ao Ministério que o Senhor lhes confia e para  que outros se decidam a percorrer o mesmo caminho da santidade e entrega generosa ao serviço da Igreja no Ministério Sacerdotal. Que a protecção materna de Nossa Senhora seja o conforto dos sacerdotes e dos que se preparam para o ser.

Guarda, 30 de outubro de 2014
+ Manuel da Rocha Felício, Bispo da Guarda

quarta-feira, outubro 22, 2014

Manhãs de Espiritualidade 2014/2015


Documento no encerramento do Sínodo Extraordinário sobre a Família

No encerramento do Sínodo Extraordinário dos Bispos sobre a Família o Papa Francisco discursou e deixou escrito o seguinte:



Eminências, Beatitudes, Excelências, irmãos e irmãs,
É com o coração cheio de reconhecimento e gratidão que gostaria de dar graças, juntamente convosco, ao Senhor que nos acompanhou e orientou ao longo dos dias passados, com a luz do Espírito Santo!
Agradeço de coração ao senhor cardeal Lorenzo Baldisseri, secretário-geral do Sínodo, a D. Fábio Fabene, subsecretário, e, com eles, agradeço ao relator, senhor cardeal Péter Erdő, que trabalhou muito mesmo em dias de luto familiar, bem como ao secretário especial, D. Bruno Forte, aos três presidentes delegados, aos escritores, consultores, tradutores e pessoas anónimas, enfim a todos aqueles que nos bastidores trabalharam com verdadeira fidelidade, com dedicação total à Igreja e sem descanso: muito obrigado!
Estou grato de igual modo a todos vós, amados padres sinodais, delegados fraternos, auditoras, auditores e assessores, pela vossa participação concreta e frutuosa. Rezarei por vós, pedindo ao Senhor que vos recompense com a abundância dos seus dons de graça!
Posso tranquilamente afirmar que — com um espírito de colegialidade e de sinodalidade — vivemos verdadeiramente uma experiência de «Sínodo», um percurso solidário, um «caminho conjunto».
E, como acontece em todo o caminho —dado que se tratou de um «caminho» —, houve momentos de corrida apressada, como se se quisesse vencer o tempo e chegar quanto antes à meta; momentos de cansaço, como se se quisesse dizer basta; e outros momentos de entusiasmo e ardor. Houve momentos de profunda consolação, ouvindo o testemunho de autênticos pastores (cf. Jo 10 e cânn. 375, 386 e 387), que trazem sabiamente no coração as alegrias e as lágrimas dos seus fiéis. Momentos de consolação, graça e conforto, ouvindo os testemunhos das famílias que participaram no Sínodo e compartilharam connosco a beleza e a alegria da sua vida matrimonial. Um caminho onde o mais forte se sentiu no dever de ajudar o menos forte, onde o mais perito se prestou para servir os demais, inclusive através de confrontos. Mas, tratando-se de um caminho de homens, juntamente com as consolações houve também momentos de desolação, de tensão e de tentações, das quais poderíamos mencionar algumas possibilidades:
uma: a tentação do endurecimento hostil, ou seja, o desejo de se fechar dentro daquilo que está escrito (a letra) sem se deixar surpreender por Deus, pelo Deus das surpresas (o espírito); dentro da lei, dentro da certeza daquilo que já conhecemos, e não do que ainda devemos aprender e alcançar. Desde a época de Jesus, é a tentação dos zelantes, dos escrupulosos, dos cautelosos e dos chamados — hoje — «tradicionalistas», e também dos intelectualistas.
A tentação da bonacheirice destrutiva, que em nome de uma misericórdia enganadora liga as feridas sem antes as curar e medicar; que trata os sintomas e não as causas nem as raízes. É a tentação dos «bonacheiristas», dos temerosos e também dos chamados «progressistas e liberalistas».
A tentação de transformar a pedra em pão para interromper um jejum prolongado, pesado e doloroso (cf. Lc 4, 1-4) e também de transformar o pão em pedra e lançá-la contra os pecadores, os frágeis e os doentes (cf. Jo 8, 7), ou seja, de o transformar em «fardos insuportáveis» (Lc 10, 27).
A tentação de descer da cruz, para contentar as massas, e não permanecer nela, para cumprir a vontade do Pai; de ceder ao espírito mundano, em vez de o purificar e de o sujeitar ao Espírito de Deus.
A tentação de descuidar o «depositum fidei», considerando-se não guardiões mas proprietários e senhores ou, por outro lado, a tentação de descuidar a realidade, recorrendo a uma terminologia minuciosa e uma linguagem burilada, para falar de muitas coisas sem nada dizer! Acho que a isto se chamava «bizantinismos»...
Caros irmãos e irmãs, as tentações não nos devem assustar nem desconcertar e menos ainda desanimar, porque nenhum discípulo é maior que o seu mestre; portanto, se o próprio Jesus foi tentado — e até chamado Belzebu (cf. Mt 12, 24) — os seus discípulos não devem esperar um tratamento melhor.
Pessoalmente, ficaria muito preocupado e triste, se não tivesse havido estas tentações e estes debates animados – este movimento dos espíritos, como lhe chamava Santo Inácio (cf. EE, 6) –, se todos tivessem estado de acordo ou ficassem taciturnos numa paz falsa e quietista. Ao contrário, vi e ouvi — com alegria e reconhecimento — discursos e intervenções cheios de fé, de zelo pastoral e doutrinal, de sabedoria, de desassombro, de coragem e de parresia. E senti que, diante dos próprios olhos, se tinha o bem da Igreja, das famílias e a «suprema lex», a «salus animarum» (cf. cân. 1752). E isto — já o dissemos aqui na Sala — sem nunca se pôr em discussão as verdades fundamentais do sacramento do Matrimónio: a indissolubilidade, a unidade, a fidelidade e a procriação, ou seja, a abertura à vida (cf. cânn. 1055 e 1056; Gaudium et spes, 48).
E esta é a Igreja, a vinha do Senhor, a Mãe fecunda e a Mestra solícita, que não tem medo de arregaçar as mangas para derramar o azeite e o vinho sobre as feridas dos homens (cf. Lc 10, 25-37); que não observa a humanidade a partir de um castelo de vidro para julgar ou classificar as pessoas. Esta é a Igreja Una, Santa, Católica, Apostólica e formada por pecadores, necessitados da sua misericórdia. Esta é a Igreja, a verdadeira Esposa de Cristo, que procura ser fiel ao seu Esposo e à sua doutrina. É a Igreja que não tem medo de comer e beber com as prostitutas e os publicanos (cf. Lc 15). A Igreja que tem as suas portas escancaradas para receber os necessitados, os arrependidos, e não apenas os justos ou aqueles que se julgam perfeitos! A Igreja que não se envergonha do irmão caído nem finge que não o vê, antes pelo contrário sente-se comprometida e quase obrigada a levantá-lo e a encorajá-lo a retomar o caminho, acompanhando-o rumo ao encontro definitivo, com o seu Esposo, na Jerusalém celeste.
Esta é a Igreja, a nossa Mãe! E quando a Igreja, na variedade dos seus carismas, se exprime em comunhão, não pode errar: é a beleza e a força do sensus fidei, daquele sentido sobrenatural da fé, que é conferido pelo Espírito Santo a fim de que, juntos, possamos todos entrar no âmago do Evangelho e aprender a seguir Jesus na nossa vida, e isto não deve ser visto como motivo de confusão e mal-estar.
Muitos comentadores, ou pessoas que falam, imaginaram ver uma Igreja em litígio, na qual uma parte está contra a outra, duvidando até do Espírito Santo, o verdadeiro promotor e garante da unidade e da harmonia na Igreja. O Espírito Santo, que ao longo da história sempre guiou a barca, através dos seus Ministros, mesmo quando o mar se mostrava contrário e agitado, e os ministros eram infiéis e pecadores.
E, como ousei dizer-vos no início, era necessário viver tudo isto com tranquilidade, com paz interior, inclusivamente porque o Sínodo se realiza cum Petro et sub Petro, e a presença do Papa é garantia para todos.
Agora, falemos um pouco do Papa na sua relação com os bispos... Ora, a tarefa do Papa é garantir a unidade da Igreja; é recordar aos pastores que o seu primeiro dever é alimentar a grei — nutrir o rebanho — que o Senhor lhes confiou e procurar receber — com paternidade e misericórdia, e sem falsos temores — as ovelhas tresmalhadas. Aqui enganei-me: disse receber, mas queria dizer ir ao seu encontro!
A sua tarefa é recordar a todos que na Igreja a autoridade é serviço (cf. Mc 9, 33-35), como explicou com clareza o Papa Bento XVI, com palavras que cito textualmente: «A Igreja está chamada e compromete-se a exercer este tipo de autoridade que é serviço, e exerce-a não em seu nome, mas no de Jesus Cristo... De facto, através dos Pastores da Igreja, Cristo apascenta a sua grei: é Ele quem a guia, protege e corrige, porque a ama profundamente. Mas o Senhor Jesus, Pastor supremo das nossas almas, quis que o Colégio Apostólico, hoje os Bispos, em comunhão com o Sucessor de Pedro... participassem nesta sua missão de cuidar do Povo de Deus, de ser educadores na fé, orientando, animando e apoiando a comunidade cristã ou, como diz o Concílio, "cuidar que cada fiel seja levado, no Espírito Santo, a cultivar a própria vocação segundo o Evangelho, a uma caridade sincera e operosa e à liberdade com que Cristo nos libertou" (Presbyterorum ordinis, 6)... é através de nós — continua o Papa Bento — que o Senhor alcança as almas, que as instrui, guarda e guia. Santo Agostinho, no seu Comentário ao Evangelho de São João, diz: "Seja, portanto, compromisso de amor apascentar o rebanho do Senhor" (123, 5); esta é a norma suprema de conduta dos ministros de Deus, um amor incondicional, como o do Bom Pastor, cheio de alegria, aberto a todos, atento aos que estão perto e solícito pelos afastados (cf. Santo Agostinho, Discurso 340, 1; Discurso 46, 15), delicado para com os mais débeis, os pequeninos, os simples, os pecadores, para manifestar a misericórdia infinita de Deus com as palavras alentadoras da esperança (cf. Id., Carta 95, 1)» (Bento XVI, Audiência geral de quarta-feira, 26 de Maio de 2010).
Por conseguinte, a Igreja é de Cristo — é a sua Esposa — e todos os bispos, em comunhão com o Sucessor de Pedro, têm a missão e o dever de a guardar e servir, não como patrões mas como servidores. Neste contexto, o Papa não é o senhor supremo mas, ao contrário, o supremo servidor — o «servus servorum Dei»; o garante da obediência e da conformidade da Igreja com a vontade de Deus, o Evangelho de Cristo e a Tradição da Igreja, pondo de lado qualquer arbítrio pessoal, embora seja — por vontade do próprio Cristo — o «supremo Pastor e Doutor de todos os fiéis» (cân. 749), e goze «na Igreja de poder ordinário, supremo, pleno, imediato e universal» (cf. cânn. 331-334).
Agora, caros irmãos e irmãs, temos ainda um ano para maturar, com verdadeiro discernimento espiritual, as ideias propostas e encontrar soluções concretas para tantas dificuldades e os inúmeros desafios que as famílias devem enfrentar; para dar resposta aos numerosos motivos de desânimo que envolvem e sufocam as famílias.
Um ano para trabalhar sobre a «Relatio synodi», que é o resumo fiel e claro de tudo aquilo que foi dito e debatido nesta Sala e nos círculos menores. E é apresentada às Conferências Episcopais como «Lineamenta».
Que o Senhor nos acompanhe, nos guie neste percurso, para glória do seu Nome, com a intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria e de São José! E, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim!

"Carta aos meus conterrâneos", D João Marcos

D. João Marcos, bispo nomeado e eleito Coagjutor de Beja,  quis deixar umas palavras escritas aos seus conterrâneos de Monteperobolso. Depois de hoje já terem sido entregues em formato papel nas várias casas de Monteperobolso, fica aqui também publicada para memória e conhecimento de todos.


CARTA AOS MEUS CONTERRÂNEOS

Lisboa, 21 de Outubro de 2014

Meus conterrâneos e amigos:

A Paz de Cristo nosso Senhor esteja convosco!

O Papa Francisco escolheu-me para Bispo Coadjutor de Beja e eu aceitei, em obediência à vontade de Deus, pondo toda a minha confiança na Sua misericórdia, no Seu poder e na Sua fidelidade. Sei por experiência que o Senhor precede e acompanha aqueles que chama e envia em Seu nome.
Este acontecimento é motivo de alegria para os meus familiares, amigos e conterrâneos, para todos vós que eu considero, digamos assim, minha família alargada.
Como sabeis, saí muito novo do Monte para estudar nos Seminários do Patriarcado de Lisboa em Santarém, em Almada e nos Olivais. Mas sempre conservei uma forte ligação à minha terra porque vejo nela os alicerces da minha vida. A fé cristã e a estrutura básica da vida moral que recebi dos meus pais e do povo do Monte são a base do homem, do cristão e do pastor que hoje sou, por graça de Deus, e tenho por isso mesmo no coração, uma gratidão imensa para com todos.
Tenho muito amor à minha terra e às suas gentes. Trago dentro de mim os horizontes longos da sua paisagem. Lembro-me com frequência dos seus ares lavados e dos barrocos, verdadeiras esculturas trabalhadas pela chuva e pelo vento ao longo de séculos, cujas formas, desde muito novo, espevitavam a minha imaginação. No Monte, tudo era para mim nítido e concreto, sem artifício. Sempre me encantou a verdade simples das coisas, que são elas mesmas por dentro e por fora, os rostos e as histórias de cada família e de cada pessoa com os seus dramas e alegrias, rostos de homens e mulheres que procuraram na França, na Alemanha, na Holanda, na Suíça, no Brasil ou no Canadá melhores condições de vida, mas que continuam a ser do Monte.
A experiência dura dos trabalhos no campo ao sol abrasador do Verão ou nos rigores do Inverno, cavar e lavrar, semear e ceifar, e também pastorear cabras e ovelhas ensinou-me coisas que não se aprendem nos livros e que me têm ajudado a ser próximo das pessoas e a ser pastor para elas. Aprendi a ser responsável ao dar-me conta de que a
vida das plantas e dos animais dependia do meu trabalho. Desde pequeno aprendi que não há vida sem cultivo, sem cultura e sem culto. A vida é hoje bem mais complexa e dispersa mas aqueles de nós que conservamos no coração o tesouro que recebemos dos nossos pais somos como árvores de fundas raízes que os vendavais não derrubam facilmente.
Sempre gostei de fazer perguntas e tive um pai habilidoso e trabalhador que sabia responder e gostava de me ensinar. Conservo comigo um jugo feito por ele que agora, ao ter de escolher um lema, me sugeriu as palavras de Jesus: «O meu jugo é suave» (Mt 11, 30).
A minha ordenação episcopal será na Igreja dos Jerónimos em Lisboa, no dia 23 de Novembro, às 16 horas. Gostaria de vos ver presentes em grande número.
A entrada na Diocese de Beja será no dia 30 de Novembro, às 17 horas, na Igreja de Santa Maria, onde presentemente funciona a Catedral.
Este é um momento de festa para todos nós. E não esqueço o povo da Mesquitela, de onde era o meu pai, nem o da Ade, onde nasceu a minha mãe, aldeias que sempre me consideraram também como seu filho.
Tenho um pedido a fazer-vos: rezai por mim e pela Diocese de Beja à qual sou enviado como pastor.
Sobre cada um de vós e sobre as vossas famílias, desça a bênção do Senhor e vos sacie de todos os bens.
Abraça-vos cordialmente, no Coração de Cristo, o padre do Monte, agora nomeado bispo coadjutor de Beja.

D. João Marcos

quinta-feira, outubro 16, 2014

Mensagem do Santo Padre para o Dia Mundial das Missões 2014

Queridos irmãos e irmãs!
Ainda hoje há tanta gente que não conhece Jesus Cristo. Por isso, continua a revestir-se de grande urgência a missão ad gentes, na qual são chamados a participar todos os membros da Igreja, pois esta é, por sua natureza, missionária: a Igreja nasceu «em saída». O Dia Mundial das Missões é um momento privilegiado para os fiéis dos vários Continentes se empenharem, com a oração e gestos concretos de solidariedade, no apoio às Igrejas jovens dos territórios de missão. Trata-se de uma ocorrência permeada de graça e alegria: de graça, porque o Espírito Santo, enviado pelo Pai, dá sabedoria e fortaleza a quantos são dóceis à sua acção; de alegria, porque Jesus Cristo, Filho do Pai, enviado a evangelizar o mundo, sustenta e acompanha a nossa obra missionária. E, justamente sobre a alegria de Jesus e dos discípulos missionários, quero propor um ícone bíblico que encontramos no Evangelho de Lucas (cf. 10, 21-23).

1. Narra o evangelista que o Senhor enviou, dois a dois, os setenta e dois discípulos a anunciar, nas cidades e aldeias, que o Reino de Deus estava próximo, preparando assim as pessoas para o encontro com Jesus. Cumprida esta missão de anúncio, os discípulos regressaram cheios de alegria: a alegria é um traço dominante desta primeira e inesquecível experiência missionária. O Mestre divino disse-lhes: «Não vos alegreis, porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos, antes, por estarem os vossos nomes escritos no Céu. Nesse mesmo instante, Jesus estremeceu de alegria sob a acção do Espírito Santo e disse: “Bendigo-te, ó Pai (…)”. Voltando-se, depois, para os discípulos, disse-lhes em particular: “Felizes os olhos que vêem o que estais a ver”» (Lc 10, 20-21.23).
As cenas apresentadas por Lucas são três: primeiro, Jesus falou aos discípulos, depois dirigiu-Se ao Pai, para voltar de novo a falar com eles. Jesus quer tornar os discípulos participantes da sua alegria, que era diferente e superior àquela que tinham acabado de experimentar.

2. Os discípulos estavam cheios de alegria, entusiasmados com o poder de libertar as pessoas dos demónios. Jesus, porém, recomendou-lhes que não se alegrassem tanto pelo poder recebido, como sobretudo pelo amor alcançado, ou seja, «por estarem os vossos nomes escritos no Céu» (Lc 10, 20). Com efeito, fora-lhes concedida a experiência do amor de Deus e também a possibilidade de o partilhar. E esta experiência dos discípulos é motivo de jubilosa gratidão para o coração de Jesus. Lucas viu este júbilo numa perspectiva de comunhão trinitária: «Jesus estremeceu de alegria sob a acção do Espírito Santo», dirigindo-Se ao Pai e bendizendo-O. Este momento de íntimo júbilo brota do amor profundo que Jesus sente como Filho por seu Pai, Senhor do Céu e da Terra, que escondeu estas coisas aos sábios e aos inteligentes e as revelou aos pequeninos (cf. Lc 10, 21). Deus escondeu e revelou, mas, nesta oração de louvor, é sobretudo a revelação que se põe em realce. Que foi que Deus revelou e escondeu? Os mistérios do seu Reino, a consolidação da soberania divina de Jesus e a vitória sobre satanás.
Deus escondeu tudo isto àqueles que se sentem demasiado cheios de si e pretendem saber já tudo. De certo modo, estão cegos pela própria presunção e não deixam espaço a Deus. Pode-se facilmente pensar em alguns contemporâneos de Jesus que Ele várias vezes advertiu, mas trata-se de um perigo que perdura sempre e tem a ver connosco também. Ao passo que os «pequeninos» são os humildes, os simples, os pobres, os marginalizados, os que não têm voz, os cansados e oprimidos, que Jesus declarou «felizes». Pode-se facilmente pensar em Maria, em José, nos pescadores da Galileia e nos discípulos chamados ao longo da estrada durante a sua pregação.

3. «Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado» (Lc 10, 21). Esta frase de Jesus deve ser entendida como referida à sua exultação interior, querendo «o teu agrado» significar o plano salvífico e benevolente do Pai para com os homens. No contexto desta bondade divina, Jesus exultou, porque o Pai decidiu amar os homens com o mesmo amor que tem pelo Filho. Além disso, Lucas faz-nos pensar numa exultação idêntica: a de Maria. «A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador» (Lc 1, 46-47). Estamos perante a boa Notícia que conduz à salvação. Levando no seu ventre Jesus, o Evangelizador por excelência, Maria encontrou Isabel e exultou de alegria no Espírito Santo, cantando o Magnificat. Jesus, ao ver o bom êxito da missão dos seus discípulos e, consequentemente, a sua alegria, exultou no Espírito Santo e dirigiu-Se a seu Pai em oração. Em ambos os casos, trata-se de uma alegria pela salvação em acto, porque o amor com que o Pai ama o Filho chega até nós e, por obra do Espírito Santo, envolve-nos e faz-nos entrar na vida trinitária.
O Pai é a fonte da alegria. O Filho é a sua manifestação, e o Espírito Santo o animador. Imediatamente depois de ter louvado o Pai – como diz o evangelista Mateus – Jesus convida-nos: «Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei-de aliviar-vos. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve» (Mt 11, 28-30). «A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 1).
De tal encontro com Jesus, a Virgem Maria teve uma experiência totalmente singular e tornou-se «causa nostrae laetitiae». Os discípulos, por sua vez, receberam a chamada para estar com Jesus e ser enviados por Ele a evangelizar (cf. Mc 3, 14), e, feito isso, sentem-se repletos de alegria. Porque não entramos também nós nesta torrente de alegria?

4. «O grande risco do mundo actual, com a sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 2). Por isso, a humanidade tem grande necessidade de dessedentar-se na salvação trazida por Cristo. Os discípulos são aqueles que se deixam conquistar mais e mais pelo amor de Jesus e marcar pelo fogo da paixão pelo Reino de Deus, para serem portadores da alegria do Evangelho. Todos os discípulos do Senhor são chamados a alimentar a alegria da evangelização. Os bispos, como primeiros responsáveis do anúncio, têm o dever de incentivar a unidade da Igreja local à volta do compromisso missionário, tendo em conta que a alegria de comunicar Jesus Cristo se exprime tanto na preocupação de O anunciar nos lugares mais remotos como na saída constante para as periferias de seu próprio território, onde há mais gente pobre à espera.
Em muitas regiões, escasseiam as vocações ao sacerdócio e à vida consagrada. Com frequência, isso fica-se a dever à falta de um fervor apostólico contagioso nas comunidades, o que faz com as mesmas sejam pobres de entusiasmo e não suscitem fascínio. A alegria do Evangelho brota do encontro com Cristo e da partilha com os pobres. Por isso, encorajo as comunidades paroquiais, as associações e os grupos a viverem uma intensa vida fraterna, fundada no amor a Jesus e atenta às necessidades dos mais carecidos. Onde há alegria, fervor, ânsia de levar Cristo aos outros, surgem vocações genuínas, nomeadamente as vocações laicais à missão. Na realidade,  aumentou a consciência da identidade e missão dos fiéis leigos na Igreja, bem como a noção de que eles são chamados a assumir um papel cada vez mais relevante na difusão do Evangelho. Por isso, é importante uma adequada formação deles, tendo em vista uma acção apostólica eficaz.

5. «Deus ama quem dá com alegria» (2 Cor 9, 7). O Dia Mundial das Missões é também um momento propício para reavivar o desejo e o dever moral de participar jubilosamente na missão ad gentes. A contribuição monetária pessoal é sinal de uma oblação de si mesmo, primeiramente ao Senhor e depois aos irmãos, para que a própria oferta material se torne instrumento de evangelização de uma humanidade edificada no amor.

Queridos irmãos e irmãs, neste Dia Mundial das Missões, dirijo o meu pensamento a todas as Igrejas locais: Não nos deixemos roubar a alegria da evangelização! Convido-vos a mergulhar na alegria do Evangelho e a alimentar um amor capaz de iluminar a vossa vocação e missão. Exorto-vos a recordar, numa espécie de peregrinação interior, aquele «primeiro amor» com que o Senhor Jesus Cristo incendiou o coração de cada um; recordá-lo, não por um sentimento de nostalgia, mas para perseverar na alegria. O discípulo do Senhor persevera na alegria, quando está com Ele, quando faz a sua vontade, quando partilha a fé, a esperança e a caridade evangélica.
A Maria, modelo de uma evangelização humilde e jubilosa, elevemos a nossa oração, para que a Igreja se torne uma casa para muitos, uma mãe para todos os povos e possibilite o nascimento de um mundo novo.
Vaticano, 8 de Junho – Solenidade de Pentecostes – de 2014.
FRANCISCO

sexta-feira, outubro 10, 2014

Pe João Marcos nomeado Bispo Coadjutor de Beja


Foi com grande alegria que recebi a notícia da nomeação do Cónego João Marcos para Bispo Coadjutor de Beja. Ele é "filho da terra" da paróquia de S. Brás - Monteperobolso, a terra que o viu nascer e brincar ainda como menino e moço. Toda a comunidade está alegre e em oração pelo Sr D João Marcos, dando graças ao Pai do Céu por ter escolhido este homem de fé e oração para pastor da Igreja. Já tive ocasião de lhe manifestar a nossa fraternidade na oração espiritual e receber dele a alegria por estarmos unidos a ele em oração: "isso é o mais importante".  Eu, a paróquia de Monteperobolso e todo o arciprestado rezamos ao Senhor para que fortaleça na fé o Sr D João Marcos nesta nova missão que agora lhe foi confiada.

sábado, outubro 04, 2014

«‘A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; tudo isto veio do Senhor e é admirável aos nossos olhos'» (cf Mt 21,33-43)

As Palavras nem sempre são aceites por todos, pois há Palavras que são fortes porque exigem de nós uma mudança e transformação radicais. A Palavra de Deus é desafiante, pois coloca-nos dentro do Seu Amor e lança-nos ao serviço do Amor ao e no próximo. Mas a realidade é quem nem sempre cuidamos do amor que Ele tem por cada um de nós e assim se quebra a união ao Céu.
O profeta Isaías ao escrever um cântico de amor e ao utilizar a vinha como símbolo do amor, recorda ao povo de Israel, e hoje a todos nós, que somos a vinha do amor que é cuidada de forma ternurenta, carinhosa e misericordiosa pelo Pai. Mas há aqueles que não querem estar nesta vinha do amor de Deus, que querem saltar fora e quebrar a sebe. Talvez aconteça àqueles que não vivem o Amor d'Ele como um desafio de libertação do coração para o amor ao e no próximo. Claro que há atitudes que têm de ser mudadas: o orgulho, o egoísmo, a soberba, o individualismo, o comodismo ("eu estou bem assim"), entre muitas outras coisas. O encontro com Deus liberta e transforma. Quero ficar ser parte da vinha ou ficar fora da sebe?
Jesus, utiliza em parte, as imagens do profeta. Nesta segunda parábola dirigida aos líderes judaicos é claro que o proprietário é Deus Pai e que a vinha é o mundo inteiro, mas os vnhateiros são os que se acham os melhores e donos do que não é seu, e os servos que vão à vinha à procura dos frutos são os profetas que são maltratados e perseguidos, mesmo fazendo parte da vinha criada e cuidada primeiro por Deus Pai e depois pelos homens. Deus Pai envia o Seu Filho, que também é maltratado e morto pelos líderes, mas fora da vinha (fora dos muros de Jerusalém). Eles rejeitaram porque não se deixaram envolver pelo cuidado/pelo amor do Pai. Hoje nós aceitamos o Amor d'Ele? Damos frutos no mundo (que é a vinha) que Ele nos entregou ao cuidado? Que frutos saem de mim/de nós para fora? Sou bom? Sou ternutento? Sou carinhoso? Sou tolerante? Sou respeitador? Sou bom estudante? Sou bom trabalhador? Sou bom familiar? Sou bom amigo? Sou amoroso? Sou pessoa? 
Mesmo rejeitado o amor de Deus (Jesus) por uns Ele é pedra angular para muitos outros. É para mim/ti?
S. Paulo ao Filipenses insiste para que as inquietações não sejam a preocupação da vida, desafiando-nos a aprsentarmos a oração dian
te de Deus, olhando a realidade com pureza e não com outros olhos, pois assim o Deus da paz estará sempre connosco.
Pe Ângelo