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quinta-feira, fevereiro 27, 2014

MENSAGEM DA QUARESMA 2014 DO BISPO DA GUARDA

MENSAGEM DA QUARESMA 2014 DO BISPO DA GUARDA 
"Quaresma, tempo para experimentar o amor de Deus” 

A Quaresma, que estamos prestes a iniciar, é sempre apelo renovado aos cristãos e às comunidades cristãs para retomarem o caminho de Jesus. O Caminho de Jesus mostra o amor de Deus por todos nós e também procura levar-nos a experimentar e a viver agradecidos esse amor divino. Mas a lógica do amor divino confunde-nos, porque, como diz o Apóstolo, “Jesus Cristo, sendo rico fez-se pobre para nos enriquecer com a sua pobreza (2 Cor.8,9). Esta foi a passagem bíblica escolhida pelo Papa Francisco para nos introduzir no espírito da Quaresma que se aproxima. A Quaresma é tempo especialmente favorável para nos ajudar a revestir com os sentimentos de Cristo. E entre eles está a sua opção pelo caminho da pobreza, com o objectivo de encarnar a situação dos pobres e ajudá-los a descobrir a verdadeira riqueza que só Deus pode oferecer e garantir. É esse o sentido do convite à pobreza e a levar uma vida pobre que o Evangelho nos faz. Para nos ajudar a valorizar positivamente este convite, o Papa lembra a distinção entre pobreza e miséria. A miséria é uma realidade que precisa de ser erradicada da vida humana e em sociedade. E para atingir este grande objectivo da erradicação da miséria nós queremos, com o mesmo Jesus Cristo, assumir corajosamente o caminho da pobreza. E começamos a sentir como a lógica de Deus não é a lógica do mundo, que, como lembra o Papa, cai com frequência na tentação de fazer do poder, do luxo e do dinheiro os seus ídolos, o que impede a distribuição equitativa das riquezas. Por isso, a lógica de Deus é outra. É a lógica da pobreza, que o Papa também chama a lógica do amor, da Encarnação e da Cruz. Temos à nossa frente uma Quaresma para todos procurarmos assumir o caminho da pobreza que Jesus nos propõe e que é o seu modo de nos amar, de se aproximar de nós, como fez o bom samaritano. E envolvidos na pobreza de Cristo, queremos com Ele ajudar a combater as três formas de miséria que o Papa enumera: a miséria material, a miséria moral e a miséria espiritual. A miséria material, que vulgarmente designamos como pobreza, atinge todos os que vivem privados das condições materiais mínimas exigidas para o exercício da dignidade humana, como são os bens de primeira necessidade – alimento, água, condições de higiene, trabalho, além de outros. Por sua vez, a miséria moral e a espiritual afastam as pessoas dos grandes valores que dão verdadeiro sentido à vida e sobretudo da relação com Deus. E, como diz o nosso Papa Francisco, “se julgamos que não temos necessidade de Deus, vamos a caminho da falência”. Com a nossa renúncia quaresmal, este ano, queremos fortalecer os meios de combate à miséria material, vulgarmente designada como pobreza, sem mais e por isso destinamos uma parte dela para o fundo diocesano de solidariedade; mas também queremos voltar-nos para o combate à miséria moral e espiritual, sobretudo no mundo dos nossos jovens. Por isso, destinamos a outra parte ao trabalho com jovens, principalmente na pastoral vocacional. Estamos convencidos daquilo que o Papa nos diz na sua mensagem para esta Quaresma, citando um autor de referência: “Só há uma verdadeira miséria: é não viver como filhos de Deus e irmãos de Cristo”. 

Guarda, 24 de Fevereiro de 2014
+Manuel R. Felício, Bispo da Guarda

sábado, fevereiro 08, 2014

«deve brilhar a vossa luz diante dos homens» (cf Mt 5, 13-16) - V Domingo do Tempo Comum - Ano A

Eu, como cristão, não me posso esquecer (nunca) que estou comprometido com Cristo e, consequentemente com o mundo que me rodeia e envolve. Nos mil e um afazeres do dia-a-dia pode acontecer que passe a segundo plano o caminho que Jesus, a Luz e o Sal, me propõe, mas devo fazer o esforço para me recordar dele.
Isaías, em três simples verbos, recorda como é simples ser-se uma luz no meio em que se vive: repartir, dar e levar. O profeta escreve sobre o repartir o pão, o dar abrigo e o levar roupa, que são tudo gestos/ações de caridade para com o próximo. Refletindo profundamente nestas três ações, consigo fazê-lo na minha vida quotidiana? Reparto? Dou? Levo? O profeta refere implicitamente nesta passagem que não basta fazer um ritual, é preciso dar-lhe vida e fazer dele um sinal de vida, ou seja, Isaías escreve sobre o jejum que só faz sentido se tiver como consequência pratica a partilha com os mais pobres e não um mero ritualismo. Assim, reflito: como posso ser uma luz no mundo onde vivo se por vezes não consigo fazer do rito uma prática de vida (uma ação com sentido)?
Jesus, na sequência do sermão da montanha, continua a dizer que os discípulos são sal e são luz: “Vós sois sal da terra”,… “vós sois luz do mundo”,… para que serve o sal senão para dar sabor e conservar e a luz para iluminar? Então com este desafio de Jesus, será que eu/nós dou/damos sabor à vida? Sou/somos sabor da vida? Preservo/amos a vida? Na medida em que vivemos as bem-aventuranças somos luz no mundo. Somos caminho de luz? Quem nos vê, vê a Luz? E isto leva a uma reflexão séria e profunda enquanto católico, enquanto Igreja: assumo o meu compromisso de membro da comunidade, de discípulo de Cristo, de apóstolo? Sou exemplo e caminho ou não? A minha vida dá sentido á vida ou perde-se no meio de banalidades?
Por fim, é Paulo que se apresenta na sua dupla condição de: evangelizador e de homem. Que fala e prega não com sabedoria humana, mas na manifestação do Espírito Santo!. Talvez tenha/mos de deixar que seja o Espírito a atuar mais em nós e para isso: «deve brilhar a “nossa” luz diante dos homens».