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sábado, novembro 21, 2015

Cristo Rei!


                                                    Cristo Rei  B    2015
   Parece um contrassenso, e a muitos dará para rir, festejarmos Cristo Rei! Se as igrejas dos seus seguidores estão em decadência… se a civilização, que ainda conta o tempo a partir dele, já não respeita o seu dia nem as suas palavras… se, como é evidente, as “verdades” que governam o mundo parecem ser outras?!  Até parece repetir-se a cena do tribunal de Pilatos: tu és o Rei dos judeus? ! Que engraçado! Olha o que o teu povo diz e te faz!                                                                       
             É cada vez mais compreensível a resposta de Jesus: “O meu reino não é deste mundo”! Neste mandais vós, e por isso anda assim! O meu Reino é de outra ordem e dimensão. É o reino da Verdade. E eu vim ao mundo para dar testemunho da verdade. E quem é da Verdade escuta a minha voz, entrará no meu reino … sem deixar de pertencer à república deste mundo.
   Assim, Jesus não é concorrente às eleições do mundo. Ele reina onde há Verdade. Onde há verdade sobre Deus, traduzida em fé e culto sinceros e escuta da sua vontade; onde há verdade sobre a dignidade da pessoa humana, traduzida em respeito pela vida, pelos direitos das pessoas, pela igualdade e justiça, pela fraternidade e paz, por leis justas…; Ele reina onde há verdade sobre o mundo, concretizada no respeito pela natureza e suas leis, no seu bom uso e gestão em favor de todos os humanos … 
   Por isso, é bom para os homens que Jesus seja Rei, já agora. Essa é a tarefa da Igreja ao longo dos séculos: traduzir a verdade, os ensinamentos de Jesus para os aplicar à vida humana concreta e assim contribuir para um mundo melhor. É a tarefa evangelizadora e educadora da Igreja que ao longo dos tempos foi capaz de subsistir e ser compatível com todos os regimes políticos dos homens, sendo neles, por dentro, fermento de melhoria e purificação. Porque o reino que anunciamos e fazemos é o reino da Verdade, em cada coisa, pessoa, família ou sociedade.
   Por isso, este dia tem sido celebrado na Igreja como o dia do nosso compromisso cristão no mundo. “É preciso que Ele reine!” –foi o lema escolhido por D.João O Matos, para a liga que fundou. E continua a ser o motivo de todas as intervenções sociais do papa e da Igreja em todo o mundo: porque o Reino de Deus (que é de outro mundo, melhor, mais perfeito) pode e quer já melhorar, aperfeiçoar a nossa vida humana…através da “militância” activa, pacífica e fraterna, de cada cristão.
   GS.40 “ Nascida do amor do Pai eterno, fundada no tempo por Cristo Redentor, reunida no E.Santo, a Igreja tem uma finalidade salvífica e escatológica que só pode ser plenamente alcançada no mundo futuro. Todavia, já está presente aqui na terra formada por homens, membros da cidade terrestre, que são chamados a formar, no seio da história humana, a família dos filhos de Deus, que deve aumentar até à vinda do Senhor. Unida em vista dos bens eternos e enriquecida com eles, esta família foi constituída e organizada neste mundo, por Cristo, como uma sociedade com meios de assegurar uma união visível e social. Sendo, ao mesmo tempo, assembleia visível e comunidade espiritual, a Igreja caminha a par da humanidade. Compartilha da sorte terrena do mundo e a sua razão de ser é actuar como fermento e como alma da sociedade, que deve renovar-se em Cristo e transformar-se na família de Deus".                                                                                                    Esta compenetração da cidade terrena e da cidade celeste só pode ser percebida pela fé…Mas a Igreja, ao procurar o seu fim próprio de salvação, não só comunica ao homem a vida divina, mas ainda projecta sobre o universo o reflexo da sua luz, sanando e elevando a dignidade da pessoa humana, firmando a coesão da sociedade e dando à actividade diária dos homens um sentido e um significado mais profundos. Desta forma a Igreja, através dos seus membros e da comunidade que é, crê que pode contribuir muito para tornar cada vez mais humana a família dos homens e a sua história”.                                                                                                                                                 Daqui a importância da presença de cristãos verdadeiros e activos, em todos os sectores da vida humana: na política, cultura, economia, desporto... Com o seu proceder consciente e cristão serão fermento para humanizar e aperfeiçoar essas áreas da vida humana.
 O profeta Daniel e o Apocalipse apontam ao futuro. À plenitude, perfeição e eternidade desse reino de Cristo. Porque é também homem, Ele é a primeira criatura, em dignidade e perfeição. Pela sua morte e ressurreição tornou-se princípio, cabeça da nova criação: Nosso Rei para sempre, na pátria definitiva e perfeita de Deus Pai, o Céu.
  Felizes seremos um dia,e para sempre, se agora pertencermos e militarmos por Cristo Rei.
                                                                                                                              (Pe. António Coelho)

sábado, novembro 07, 2015

O Juízo (CIC.1021 ss)

                                                     32º Domingo Comum B ,  2015       
    Comove-nos  a confiança ilimitada da viúva na palavra do profeta Elias que lhe alcança de Deus o alimento diário, até ao fim daquela época de fome. E a viúva do Evangelho obtém o elogio de Jesus por ter lançado, confiante, na caixa das esmolas, as duas pequenas moedas de que tanto necessitava.
     Inversamente, Jesus adverte seriamente os escribas pelo seu orgulho e presunção, por enganarem e roubarem os pobres, por julgarem até comprar os favores de Deus com as suas esmolas avultadas. "Hão-de receber recompensa tanto mais severa" - adverte Jesus.
     Dois retratos de então, plenos de actualidade hoje. As desigualdades gritantes; as injustiças escandalosas sem penalização; a corrupção descarada; a exploração económica e ideológica dos mais fracos; Indignante e revoltante!  Mas será possível que tanta mentira e maldade vençam? Será que a lei da selva, do mais forte, é o princípio supremo da vida social?
     Desde sempre –porque é natural- os humanos não podem conformar-se com isso e exigem outra instância de Justiça, outro Juiz que nos dê por bem empregue as lutas pelo bem, pela verdade e pela honestidade com que procuramos viver. Dizem-no as gravuras e os papiros egípcios e os ritos funerários de tantos povos.                                      
Se, no Domingo, afirmámos a nossa fé no futuro feliz de todos os Santos, os que em vida cresceram na amizade e fidelidade a Deus,  hoje consideramos a questão escatológica, final, do Juízo ou Julgamento,  como professamos: " de novo há-de vir em sua glória para julgar os vivos e os mortos".
     Já os profetas do AT, falam muito deste tema, com alguma imaginação: perante as injustiças e opressão ao seu povo, há-de chegar um dia em que Deus julgará os homens e a história. Para o povo fiel será um dia e destino de triunfo e glória; para os maus será um dia e destino de trevas e castigo. (Dn.12)
     Também na pregação de Jesus este tema está muito presente. Várias parábolas nos falam deste julgamento, desta vitória final e definitiva da verdade sobre a mentira, do bem sobre o mal, que será, simultâneamente, decisão definitiva sobre o futuro eterno de cada pessoa: será como o trigo, recolhido e o joio que será queimado; será como o senhor que ajusta contas com os seus empregados, premiando os fiéis e expulsando os que não renderam; como um banquete de casamento onde só participarão os que souberam aguardar e estar preparados; etc. (Cf.Mt.25)
  Acarta aos Heb. hoje, recorda que Jesus, Deus e homem, ressuscitado, entrou no Céu para ser nosso advogado junto do Pai. Pois o destino dos homens é morrer uma só vez, e depois vem o julgamento.".. e Jesus lá estará “para salvar aqueles que esperam por Ele”.
   Na fé e catequese da Igreja o Juízo ou Julgamento  foi-se distinguindo e apresentando, em dois níveis diferentes. O Juízo particular e o Juízo final ou universal.                                                               O Juízo particular, na morte, poderemos entendê-lo como esta iluminação e auto-avaliação da minha vida, face a Cristo. Auto-avaliação que decidirá para sempre o meu destino de salvação ou de condenação. Porque a morte põe fim à vida humana como tempo de liberdade e responsabilidade; tempo próprio ao acolhimento ou rejeição da salvação de Deus, manifestada e oferecida em Cristo. Esse Juízo  não é decisão nem imposição de um destino alheio e contrário à minha vontade. Será antes a palavra final, a última palavra, irreversível,  acerca  do bem ou do mal que fui escolhendo. No fundo, esse juízo não será uma decisão nova e estranha às minhas opções de liberdade durante a vida. O Evangelho de João esclarece várias vezes: o nosso julgamento vai-se já fazendo na nossa vida, consoante acreditamos ou não em Jesus e vivemos segundo a sua palavra." Deus amou tanto o mundo que entregou o seu filho único...Quem nele crê não é julgado; quem não crê já está julgado, pois não acreditou no nome do filho único de Deus." (Jo.3,16s)  E Mt. recolhe as palavras de Jesus: Vinde benditos, porque tive fome, sede… e me assististes. 
     Mas, a Bíblia fala ainda mais do Juízo universal. Fazemos parte da família humana e da sua história. Somos senhores e responsáveis da criação. Diz o Cat.: "O juízo final acontecerá com a manifestação ou vinda gloriosa de Jesus, no termo da história. Como e quando? Só Deus o sabe. Por seu filho Jesus, Ele pronunciará então a sua palavra definitiva sobre toda a História. Nós conheceremos então a Verdade e o sentido último de toda a obra da criação e de toda a história; conheceremos os caminhos admiráveis pelos quais a Providência de Deus guiou todas as coisas até ao seu fim último. O Juízo final revelará, que a justiça de Deus triunfa sobre todas as injustiças cometidas pelos homens e que o Seu amor é mais forte do que a morte". 
    A fé no Juízo é um convite ao empenhamento e esforço pela verdade e o bem, mesmo incompreendidos e sacrificados, na certeza de que cada gesto, por mais simples que seja, terá um valor decisivo de Eternidade.                  (Pe. António Coelho)