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terça-feira, maio 10, 2016


                                     Domingo de Ascensão   ano c  2016

  Esta semana surgia num noticiário da Internet a notícia: “Cientistas vão tentar ressuscitar mortos” . Trata-se da tentativa, agora autorizada para uma empresa americana, de reanimar cérebros clinicamente mortos, com a injecção de células estaminais. Em corpos ainda com vida, claro.  … É a reedição do sonho constante da humanidade: buscar a fonte da imortalidade!  Esta foi já a tentação de Adão, segundo o relato simbólico do Gén. ao comer o fruto da árvore da vida …

   Quando isto vier a acontecer –o que pode ser possível!- Não resolverá o nosso problema! Só prolongará os nossos problemas e debilidades, pois, ainda que venhamos a ter sete vidas –como os gatos ou como nos jogos de computador !- continuaremos a ansiar pela vida em plenitude, perfeita, de outra dimensão e nível … Sobrenatural. E esta é dom de Deus e jamais será conquista humana.

  É esta vida que contemplamos pela fé, hoje, na Ascensão de Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem, para nos garantir e abrir a porta a essa Vida gloriosa, que será participação da própria vida divina. Por isso Paulo pedia hoje, escrevendo aos Ef.,o Espírito de Sabedoria e de revelação para podermos desvendar, ao menos um pouco, a meta da nossa Esperança, a glória que nos aguarda, o poder de Deus em nosso favor. A prova e garantia disso está na ressurreição de Jesus e a exaltação da sua humanidade junto de Deus... que assim, enquanto homem é primeira das criaturas, cabeça do povo que resgatou e nele crê, a sua Igreja.

   A Igreja, no seu catecismo exprime assim a sua certeza nesse futuro glorioso, transcendente, que chamamos de vida eterna ou simplesmente Céu: “ Esta vida perfeita com a Sª Trindade, esta comunhão de vida e de amor com Deus trino, com a Virgem Mª, com os anjos e todos os bem-aventurados, chama-se Céu. É o fim último e a realização das aspirações mais profundas do homem, o estado de felicidade suprema e definitiva” (CIC,1024).

  A leitura de Act e do Ev. ambas do apóstolo Lucas narram esta passagem de Jesus, da sua condição visível, terrena, à condição transcendente, sobrenatural, invisível, definitiva...  numa  forma tão plástica e espectacular de Jesus subindo ao Céu… como nós temos na ideia e vemos pintada.

    Mas há  outras certezas que esta Palavra nos ensina. 1º: Jesus não veio cá “instaurar o reino de Israel” como eles esperavam. Isto é: Jesus não veio impôr a ordem e a felicidade na terra. Isso pertence-nos a nós, responsáveis pelo cuidado deste mundo.  2º: Ele envia-nos  como testemunhas suas, assistidos (iluminados e fortalecidos) pelo seu Espirito. Para ser fermento do seu reino, de um mundo novo já, mas que, só no futuro, no céu, será perfeito. 3º: Jesus voltará, glorioso. Como, quando? Não sabemos. O que Jesus quer certamente dizer-nos é que, no nosso fim, individual e, da própria humanidade… quando deixarmos esta vida, Jesus virá a o nosso encontro para nos fazer participar da sua glória, da sua vida, se agora seguimos os seus passos e caminharmos ao seu encontro.

       Esta linguagem talvez pareça aos humanos de hoje, algo infantil. O homem científico e racional de hoje prefere pensar o futuro conquistando e habitando no espaço cósmico, em novos planetas,  num futuro de ficção científica. Há quem explique que os nossos falecidos são agora estrelinhas no céu; há quem espere outra vida reencarnando noutro ser, noutra pessoa melhor e famosa! Numa vida prolongada e indefinida pelas novas potencialidades da medicina e da genética. Muitas vezes serão divagações poéticas e envergonhadas para não encarar a Verdade do nosso fim e do encontro com Deus, que espera de nós uma vida guiada pela fé, mais fraterna e eticamente responsável.

    Celebramos o 13 de Maio. Não é verdade de fé. NªSª não disse nada de novo. Mas o Céu faz parte do conteúdo central da sua mensagem. Apresentou-se como sendo do Céu … prometendo o Céu, na condição de rezarem e fazerem penitência … prometeu o Céu aos pastorinhos e a outras pessoas que estes lhe encomendaram. Também lhes fez sentir e viver a experiência do horror dos que negam a salvação e preferem o inferno; Ensinou o caminho para o céu: rezar, converter-se, não ofender mais a Nº Senhor … e até ensinou a rezar pedindo: “levai as almas todas para o Céu, principalmente as que mais precisarem!” E também sabemos o efeito, a força e sentido extraordinário que essa certeza deu à vida de umas pobres crianças. Pensar no Céu não pode meter medo mas deve ser a meta almejada que infunde à vida sentido, inteligência e responsabilidade, alegria e confiança.

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