Paróquias
Adão, Ade, Albardo, Amoreira, Cabreira, Casal de Cinza, Castanheira, Cerdeira do Côa, Marmeleiro, Mesquitela, Miuzela, Monte Margarida, Monteperobolso, Parada, Porto de Ovelha, Pousade, Rochoso, Seixo do Côa, Valongo do Côa, Vila Fernando e Vila Garcia

segunda-feira, março 13, 2017

Mensagem de D. Manuel Felício para a Quaresma 2017



A Quaresma: Tempo de conversão a Deus e ao outro


A Quaresma, com o número simbólico dos seus quarente dias, é convite de conversão a Deus, não só para recusarmos o pecado na nossa vida, mas também para fortalecermos a amizade com Ele. É o tempo favorável para intensificarmos a nossa vida espiritual, através dos meios tradicionais que a Igreja nos oferece, como são o jejum, a oração e a esmola, mas principalmente pelo acolhimento da Palavra de Deus que havemos de saber escutar, meditar e partilhar com mais assiduidade ao longo destes 40 dias. A nossa conversão não ficaria completa se não incluísse a conversão ao outro que é, por si mesmo, sinal e presença de Deus para cada um de nós. Se, como sublinha o Papa na Sua mensagem, “fechar o coração ao dom de Deus que fala tem como consequência fechar o coração ao dom do irmão”, o contrário também é verdade. Quanto mais abrimos o coração a Deus mais sentimos necessidade de ir ao encontro dos irmãos, sobretudo dos mais fragilizados. Para aprofundarmos o caminho da nossa conversão a Deus, precisamos que durante este tempo de Quaresma, haja momentos fortes, nas comunidades cristãs, de encontro com a Palavra de Deus. Por isso é importante que, de semana a semana, os grupos que preparam a liturgia dominical dediquem tempo significativo a ler a palavra de Deus própria desse domingo, a meditá-la, com ajuda de algum comentário, a partilhá-la e a contemplá-la em termos que possam motivar atitudes de vida nova. Recomenda-se que esta preocupação chegue não apenas aos grupos corais; mas também a grupos de leitores, de acólitos e de outros serviços paroquiais. O apoio de comentário pode ser aquele que é publicado semanalmente no jornal diocesano A GUARDA, procurando nós que seja colocado também no site da Diocese. Na medida em que se consolidar esta prática nas nossas comunidades, também as homilias dos sacerdotes e dos diáconos, sobretudo nas assembleias dominicais, sairão beneficiadas. Para aprofundar a nossa espiritualidade, neste tempo especialmente favorável, é bom que em cada arciprestado, dentro da nossa tradição diocesana, se organize pelo menos um retiro, que seja anunciado em todas as paróquias. Não esqueceremos que esta quaresma precede imediatamente a celebração do centenário das Aparições de Fátima. E como lembra a carta pastoral da Conferência Episcopal sobre este centenário, a mensagem de Nossa Senhora aos três pastorinhos é uma bênção para a Igreja e para o mundo. E, como tal, interpela-nos para uma atitude orante diante da Santíssima Trindade. Convida-nos à contemplação, à compaixão e ao anúncio da Boa Nova, segundo o modelo das três crianças. Por sua vez, a presença e o olhar de Maria, como o sentiram os videntes, é mensagem de ternura e misericórdia que o mundo de hoje precisa, mais que nunca. E é bom lembrar que, no centro da mensagem de Fátima, está o convite à conversão para que a guerra pudesse acabar e a paz regressasse à vida das pessoas e das Famílias. O Papa insiste, na sua mensagem, em que é preciso “abrir a porta do nosso coração ao outro, “seja ele o nosso vizinho, seja o pobre desconhecido. Ora, todos nós, ao longo dos últimos tempos, temos sentido o drama dos refugiados que fogem da guerra que se instalou nas suas terras e insistentemente batem às portas da Europa, sobretudo atravessando as águas do Mediterrâneo, onde muitos milhares já perderam a vida. É necessário encontrar formas de acolher estes irmãos nossos, mas é ainda mais necessário tentar que voltem a ter condições de vida nas suas terras. No meio dos muitos dramas que afetam aqueles que fogem há o drama específico das comunidades cristãs do Iraque e da Síria que, sendo lugares com comunidades cristãs que remontam ao tempo dos apóstolos, agora estão em risco de desaparecer. Só a título de exemplo, em 2003 havia 1 milhão de cristãos no Iraque, agora não chegam a 250 mil, muitos deles deslocados das suas terras e das suas casas. Nos lugares onde se implantou o chamado Estado Islâmico, consta que os Jihadistas davam três saídas possíveis aos cristãos que ali viviam, a saber, ou deixarem o cristianismo e converterem-se ao Islão radical que eles propõem, ou pagarem uma quantia mensal em dinheiro ou irem embora. Perante situações como estas, o Bispo de Mossul (antiga cidade bíblica de Nínive) desabafou assim: “Não há cristãos na minha diocese. Sou um Bispo sem diocese”. Mas acrescentava que surpreende a constância na Fé de muitos destes cristãos. Perante o quadro dramático das comunidades cristãs do Iraque e também da Síria, este ano vamos destinar-lhes a nossa renúncia quaresmal. E far-lha-emos chegar através da Fundação “Ajuda à Igreja que sofre” que o Papa Francisco expressamente convida a “fazer por todo o mundo uma obra de misericórdia”.
Guarda, 19-02.2017
+Manuel da Rocha Felício, Bispo da Guarda

Sem comentários: